Helena Narrando…
Depois do impacto inicial — aquele segundo exato em que o ar pareceu rarear quando ouvi, com clareza incontestável, a palavra esposa associada ao nome do Sheik — eu precisei de disciplina. Não emocional, mas quase militar. Recolher cada fragmento que se soltou por dentro, alinhar postura, regular a respiração e seguir. Havia luz demais naquele salão para permitir que qualquer fissura íntima se tornasse visível.
Mantive o olhar atento no palco enquanto o discurso se encaminhava para o encerramento. A voz do anfitrião soava segura, cadenciada, como alguém acostumado a conduzir grandes plateias e grandes interesses. Quando ele finalizou, o aplauso foi imediato, firme, elegante — o tipo de aplauso que não nasce do entusiasmo desordenado, mas do reconhecimento. Eu acompanhei, comedida, as palmas no ritmo certo, a expressão serena, o queixo levemente erguido.
Por dentro, no entanto, eu ainda reorganizava os pensamentos.
A confirmação visual do que, até segundos antes, era a