Helena Narrando…
Dubai tem um silêncio que engana. À primeira vista, tudo nela parece excesso: vidro, ouro, luz, grandiosidade. Mas por trás do brilho calculado existe uma quietude quase solene, como se cada construção tivesse sido erguida não apenas para impressionar, mas para lembrar quem manda. Quem chegou. Quem venceu.
O almoço com os representantes dos Emirados Árabes aconteceu em um salão reservado, afastado do burburinho do evento principal. Um espaço amplo, de linhas limpas, mármore claro sob os pés e janelas altas que deixavam o sol atravessar o ambiente com dignidade, nunca de forma agressiva. Nada ali era casual. Nem as distâncias entre as cadeiras. Nem o tom de voz usado nas conversas.
Sentei com postura ereta, consciente de cada movimento. Não por insegurança — isso ficou no passado — mas por respeito. Aos anfitriões. À cultura. E, principalmente, ao lugar que eu havia conquistado.
As conversas fluíam com naturalidade. Falamos de inovação, de impacto social real, de tecno