Capítulo 118 — Napa ficou marcado.
Lorenzo Narrando
Napa não ficou em mim pelo vinho, nem pela paisagem organizada demais para parecer real, tampouco pelos restaurantes impecáveis onde tudo era pensado para impressionar. Napa ficou em mim porque ali, à noite, Helena deixava de ser apenas a mulher que caminhava ao meu lado durante o dia e se tornava algo que me desarmava com uma naturalidade perigosa. As noites eram quentes, silenciosas, quase cúmplices, e havia uma intimidade que não precisava ser explicada nem conduzida — ela simplesmente acontecia, como se o mundo tivesse recuado alguns passos para nos observar de longe.
Eu lembrava do chalé quando o dia já havia começado a me exigir decisões, quando as telas se acendiam, quando vozes se sobrepunham em reuniões intermináveis. Lembrava dela sentada na beira da cama, a luz baixa desenhando a curva dos ombros, o jeito distraído de prender o cabelo, como se não tivesse noção do efeito que causava. Lembrava do silêncio depois, do corpo relaxado ao meu lado, da respira