Narração: Sara
Tia Eliane ajeitava o meu vestido como se pudesse ajeitar também o turbilhão que eu sentia por dentro.
— Vamos, você já está pronta. Todo mundo tá te esperando pra abrir a porta.
Mas eu não consegui dar um passo. Meu corpo travou.
— O que houve? — ela perguntou, olhando meu rosto pálido.
Eu mordi os lábios, tentando disfarçar.
— Tia… eu não tô bem, sério.
Ela veio até mim, os olhos já preocupados.
— Você tá amarela, Sara…
— Desde semana passada tô assim.
A minha voz saiu fraca,