Mundo de ficçãoIniciar sessãoLEANDRO NARRANDO:
Acordei no sábado com uma ressaca que parecia ter o peso do mundo. A cabeça latejava e a luz do sol que entrava pela janela era implacável. Mas eu tinha um compromisso. Prometi ao Mussas que jogaria tênis com ele. Ele tem passado mais tempo comigo ultimamente, uma mudança que veio após ele se afastar um pouco de Abby, Vittoria e Samuel. Depois de um café forte, me arrastei para o clube de tênis. Mussas já estava lá, aquecendo-se na quadra. — Dormiu bem? — Mussas perguntou, rindo, sabendo muito bem a resposta. — Já tive dias melhores — respondi, apertando sua mão e pegando minha raquete. Jogamos algumas partidas intensas. Ele sempre foi um adversário duro, mas hoje eu estava especialmente enferrujado. Após algumas horas de jogo, estava exausto, pingando de suor. Sentamos no banco da quadra para tomar um pouco de água. — Como andam as coisas com o divórcio? — Mussas perguntou, quebrando o silêncio. — Estou sem cabeça para pensar nisso. Vou pedir à minha irmã Rafaela para cuidar da papelada — respondi, tentando afastar o assunto. — Leandro, você precisa se distrair. Extravasar um pouco, sabe? Abby não vale nada. Esqueça logo essa mulher, talvez seja melhor conhecer alguém — ele disse, me encarando com preocupação. — Não tenho cabeça para mulher nenhuma agora — disse, sincero. — Então vai para a Scandallo. Bebe um pouco, recebe algumas danças das meninas. Vai te fazer bem — ele sugeriu. — Não gosto de prostitutas, Mussas. — Eu sei... e não contrato prostitutas. Apenas massagistas — ele disse com um sorriso malicioso. — Quer saber? Acho que você tem razão. Vamos comigo hoje? — perguntei, buscando um cúmplice. — Já tenho compromisso com a minha esposa. Vou levar a Flávia para passear no iate. Noite de lua cheia, nada melhor que dormir olhando as estrelas no meio do mar — ele disse, com um brilho nos olhos que era difícil ver antes... — Desde quando se tornou tão romântico, Mussas? — eu ri. — Acho que quando casei — ele riu de volta. — De qualquer forma, você vai para a Scandallo hoje. Vou avisar o gerente para cuidar bem de você. Temos um grande estoque de licor amaro. Beba à vontade e faça uma massagem — ele disse, tocando meu ombro antes de jogar uma toalha no meu pescoço. — Talvez eu faça isso — disse, tomando mais um gole de água e guardando minha raquete. Saímos da quadra e nos dirigimos aos nossos carros conversíveis no estacionamento. Nos despedimos com um toque de mão, e cada um entrou no seu veículo e acelerou. Mussas era um novo homem desde que se casou e se tornou pai. Antes, eu queria o mesmo, mas agora não me imaginava casando de novo, muito menos tendo filhos. Em casa, pedi algo para comer pela internet, tomei um banho demorado e mergulhei nos relatórios da empresa. O trabalho nunca faltava, e eu agradecia por isso. Quando anoiteceu, comecei a pensar na proposta de Mussas. Tomei um banho rápido, fiz a barba, coloquei uma camisa branca com os botões abertos, uma calça jeans e um sapato exclusivo. O relógio Richard Mille cravejado de diamantes brilhou no meu pulso enquanto eu penteava o cabelo. Já era meia-noite quando desci para a sala e tomei uma dose de licor. Estava indeciso se ia ou não para a boate. Depois de uma garrafa e meia sozinho, os fantasmas de Abby voltaram a assombrar minha mente. Cansado de lutar contra essas lembranças, decidi sair de casa e dirigi até a Scandallo. Chegando lá, estacionei em frente à boate. As pessoas esperavam horas na fila para entrar, mas, como primo de Mussas, eu tinha passagem livre. O gerente sorriu ao me ver, mas eu não queria simpatia, só mais licor. Fui até o camarote exclusivo de Mussas no último andar. O lugar estava lotado. Strippers dançavam no pole dance, e o dinheiro voava. A música alta não conseguia me animar. Sentado, observei as pessoas enquanto tomava licor direto da garrafa. Olhei para as strippers dançando, mas nenhuma despertava meu desejo. "Essa noite eu vou te esquecer, Abby maldita", pensei enquanto tomava mais licor. As horas passaram e eu já tinha consumido mais duas garrafas. Sentia o efeito do álcool e a necessidade de fumar. Pedi um cigarro e um isqueiro ao garçom, peguei outra garrafa de amaro e subi até o terraço da boate. O vento gelado no rosto foi um alívio. Fechei a porta desajeitado, percebendo que estava finalmente bêbado. Acendi o cigarro com dificuldade e dei um trago, sentindo a fumaça encher meus pulmões. Caminhei para perto do parapeito, quando vi uma moça de costas. Ela estava perto demais da borda, com os braços abertos, e parecia distraída. "Merda, o que essa louca vai fazer? Não posso deixar ela se jogar." Instintivamente, coloquei a garrafa e o cigarro no chão e me aproximei rapidamente, puxando-a pela cintura. O perfume de seu cabelo me extasiou por um momento, mas então ela me atingiu com um soco no rosto e gritou: — Me solta, seu tarado!






