CAPÍTULO 06

AMANDA NARRANDO:

Não tinha roupa para ir a uma boate como a Scandallo, então procurei uma calça jeans e uma camiseta.

— Você não vai com isso — Jon disse, avaliando minha escolha de roupa.

— Nutella, eu não tenho roupa para um evento como esse. Deixei meu único vestido justo preto na casa da minha... da Vanusa, e não saía muito para baladas com o Rony — expliquei, desanimada.

— Oh, docinho, você tem tanta sorte de ter a mim como melhor amigo. Sobe aqui — ele disse, rindo e indo até seu closet.

— O que você quer dizer com isso? — perguntei, subindo as escadas.

— Eu sou sua fada madrinha esta noite, Cinderela — ele disse, empurrando uma mala preta de rodinha até a cama e a abrindo.

— Abracadabra — ele riu, mostrando as roupas femininas dentro da mala, e uma outra mala de calçados.

— O que é tudo isso, Nutella? — perguntei, olhando as pequenas blusas com rendas, saias, a maioria com etiquetas novas.

— Esta mala é minha caixa de Pandora. Comprei essas roupas pela internet nas minhas últimas férias. Pensei em usar um dia, mas acho que nunca vou usar. Então vou escolher um look para você esta noite — ele disse, pegando algumas peças.

— Não escolhe nada muito vulgar — pedi, olhando as peças que talvez não caberiam em mim.

— Não seja chata, vulgar que é bom. Mas não se preocupe, ninguém vai te ver. Lá é tudo escuro — ele disse, escolhendo uma saia e perguntando meu tamanho.

— Nutella, você conhece bem meu estilo, então...

— Conheço mesmo. E por isso sou eu quem está te vestindo. Hoje será minha boneca humana. Coloca isso, vai — ele disse, entregando um look para mim.

Peguei as peças de roupa e fui até o closet para me trocar. O cropped era muito justo e decotado, e a saia com estampa de exército era curta demais, mas me senti bonita pela primeira vez. Meu corpo estava valorizado. Quando saí do closet, encontrei Jon vestido, colocando seus colares.

— Arrasou, docinho. Se tudo der errado, vou trabalhar como personal stylist — ele disse, rindo e se aproximando.

— Ficou bom mesmo? Não estou parecendo trabalhar naquele lugar? — perguntei, me olhando no espelho.

— Docinho, as meninas que trabalham lá usam apenas calcinhas, e olhe lá — ele disse.

— Ahhh, Nutella, eu não quero ir a um lugar com prostitutas...

— Não são prostitutas, são strippers e funcionárias do prazer. Você não tem noção de como aquele lugar é bom. Vamos nos divertir muito. Me ajuda a fechar isso, vai — Jon disse, virando de costas e mostrando seus colares.

Ajudei a colocar seus colares. Jon fez uma maquiagem forte em mim, com bastante brilho nos olhos, um delineado maravilhoso, e me entregou um batom vermelho. Ele fez uma maquiagem básica em si mesmo, passou seu perfume importado. Seu closet era extremamente arrumado, e o banheiro tinha uma banheira com vista para o mar. Ele parecia aproveitar cada detalhe.

Estava me sentindo linda como nunca. Usei um dos sapatos que Jon ganhou de sua patroa, que dizia ser para sua irmã mais nova. Jon sempre falava que tinha uma irmã mais nova para as pessoas, mas era mentira. Sua mãe o abandonou quando nasceu, e seu pai o rejeitou ao descobrir que era homossexual. Mandou Jon morar com a avó, que era vizinha minha. Ele era dois anos mais velho, mas era a única pessoa que me olhava de forma gentil. Até os quatorze anos, minha mãe me fazia vestir roupas de meninos, dizendo que eu não deveria chamar muita atenção. Sofri bullying na escola com as roupas que ela me obrigava a usar, Jon entendia o que eu passava. Era bom vê-lo conquistar tudo o que tinha hoje, exceto pelo patrão novo que parecia um escroto.

Tomamos uma dose de tequila antes de sair de casa, escutando música para aquecer, preparados para uma noite mágica.

— Hoje eu quero esquecer meu nome — Jon disse, tomando mais uma dose de tequila.

— Calma, Nutella, também não precisa de tanto — respondi, tentando conter o riso.

Me olhei no espelho e pensei: "Caramba, estou gostosa." Jon, após tirar algumas fotos no espelho, perguntou:

— Como estou?

— Perfeito, como sempre, Nutella — disse, sorrindo para ele.

— Vou fazer um anúncio nas minhas redes sociais dizendo “entreguem currículos, porque hoje eu quero dar trabalho” — Jon disse, sorrindo e digitando no celular.

— Nutella, vai devagar porque não sei se tenho condições de te arrastar para casa hoje — disse, tomando mais uma dose de tequila.

— Docinho, você vai deixar todas suas preocupações ali naquele sofá, e quando sairmos por aquela porta, vamos fingir que não temos problemas, ok? — Jon disse, olhando nos meus olhos.

— Ah, eu não sei... — tentei dizer, mas ele me interrompeu.

— Chega de negatividade. Essa noite vamos nos embriagar, dançar, beijar em várias bocas e nos divertir muito — ele disse, animado.

— Me embriagar eu topo — concordei.

— Ótimo. Agora j**a pra lua toda positividade, e vamos que o táxi chegou — ele disse, estalando os dedos.

Acabei estalando também... É isso, preciso me distrair!

— Essa noite, eu sou a Tiffany — Jon disse quando entramos no elevador.

— E eu sou a Brittany — eu disse, rindo.

Costumávamos brincar assim após assistirmos "As Branquelas" no passado. Respirei fundo e entrei no banco de trás do táxi, escutando Jon conectar sua playlist eletrônica no rádio do motorista. De alguma forma, também fiquei animada. O clima estava contagiante, e a música ajudava a aumentar a empolgação.

Enquanto o táxi nos levava para a balada, eu tentava afastar todos os pensamentos negativos. Estava determinada a aproveitar a noite e me deixar levar pela alegria de Jon. Precisava disso mais do que nunca, precisava esquecer as dores e decepções, pelo menos por algumas horas.

Jon mexia no celular, rindo de alguma coisa, e eu olhei pela janela, observando as luzes da cidade passarem rapidamente. Ele sempre soube como me animar, como me tirar da escuridão. E naquela noite, estava claro que ele não ia desistir até me ver sorrir genuinamente.

Chegamos à Scandallo, e a fachada iluminada parecia nos convidar a entrar em um mundo de diversão e despreocupação. Jon pagou o motorista, e saímos do táxi com a música ainda ecoando na cabeça.

— Pronta para se divertir, Brittany? — Jon perguntou, com um brilho nos olhos.

— Prontíssima, Tiffany — respondi, sentindo a adrenalina começar a tomar conta de mim.

Entramos no clube, e o som alto, as luzes piscantes e a energia das strippers dançando com as pessoas jogando dinheiro imediatamente nos envolveram. Jon segurou minha mão, puxando-me para a pista de dança. Por um momento, todas as preocupações desapareceram, e eu me entreguei ao ritmo da música, deixando a noite mágica começar.

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