Mundo de ficçãoIniciar sessãoAMANDA NARRANDO:
Acordei no sábado de manhã com o barulho de Jon se movimentando pela pequena cozinha. Me espreguicei, ainda sonolenta, e me sentei no sofá, ajeitando o cabelo bagunçado. — Está na hora de acordar, princesa. São três da tarde — Jon disse, enquanto arrumava algumas compras. — Você foi no mercado? — perguntei, levantando-me e esticando os braços. — Sim, depois da aula de bodyjam na academia, precisava repor alguns produtos e comprar comida para a gente — ele respondeu, lavando alguns legumes. Notei que estava de meias brancas, bermuda e regata fitness. — Nossa, que disposição — comentei, admirada. — Preciso manter esse corpinho, querida. Agora lava esse rosto e vamos almoçar — ele disse, pedindo para Alexa tocar uma música eletrônica. Jon era o verdadeiro significado de bom humor e alto astral, tudo o que eu não era naquele momento, mas era bom ter a presença dele por perto. Fui ao banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes, penteei o cabelo e voltei para a sala. Dobrei o edredom, guardei o travesseiro e ajudei Jon a terminar de colocar os pratos na mesa. Ele havia comprado uma lasanha de bolonhesa e preparado uma salada com folhas verdes, cenoura, picles, cebola roxa e pepinos. — Eu ainda não consigo entender como você não tem um fogão em casa — comentei, saboreando a deliciosa lasanha. — É simples, docinho. Eu não uso, não tenho tempo para cozinhar. Durante a semana, almoço no restaurante da empresa e janto saladas fitness que uma colega da academia prepara. No fim de semana, prefiro ir a algum restaurante ou pedir comida. Às vezes, arrisco algo congelado no micro-ondas — ele explicou, sorrindo. — Isso pode ser prático, mas você deve gastar um absurdo com alimentação — observei. — Trabalho para isso, docinho. E tenho um vale-alimentação generoso que me permite esse luxo — ele disse, orgulhoso. — Então eu com certeza faria o mesmo — respondi, apreciando a refeição. — Amo a lasanha desse restaurante. Imaginei que você ia gostar — ele disse, terminando de comer. — Está deliciosa! — exclamei, com os lábios sujos de molho. Terminamos de almoçar juntos e eu ajudei Jon a limpar a cozinha. Ele foi tomar banho e voltou com uma máscara facial no rosto. Eu, por outro lado, segurava meu celular, onde vi algumas mensagens de Rony que não queria abrir. — O que foi, docinho? — Jon perguntou ao se aproximar, balançando seus cabelos hidratados e molhados, usando um roupão branco. — O Rony enviou algumas mensagens, mas não estou preparada para ler agora — confessei, insegura. — Então não leia. Vai tomar um banho, hidratar esse cabelo e colocar uma máscara facial nesse rosto que vamos sair hoje. Precisamos estar belíssimas — ele disse, pegando meu celular. — Sair? Mas para onde, Nutella? — perguntei, confusa. — Para uma balada, querida. Vamos na Scandallo, beber, dançar, jogar alguns euros para as strippers e esquecer nossos problemas por hoje — ele disse, servindo-se de uma taça de vinho. — Nutelinha, não estou com essa vibe. Prefiro ficar aqui hoje — respondi, fazendo beicinho. — Claro que você prefere ficar deprê, chorando, triste e no escuro. Por isso estou aqui, docinho, para evitar que você fique nessa bad. Semana que vem, vou entrar uma hora mais cedo no trabalho e sair uma hora mais tarde. Claro que serei pago por isso, mas vou ficar cansado. Preciso extravasar hoje. Talvez eu não saia por um bom tempo — ele explicou, tomando seu vinho. — Esse seu chefe é um tirano idiota — comentei, caminhando para o banheiro. — Ele é mesmo, mas é gato e gostoso também, então aceito ser judiado — Jon disse com um sorriso. — Você não presta, Nutella — falei, sorrindo e entrando no banheiro com a toalha branca que ele me entregou. — Eu sei que não, docinho. Tomei um banho demorado, lavando meus cabelos e sentindo como se um peso enorme saísse da minha alma. Chorei copiosamente, triste por ter brigado com minha mãe, decepcionada com Rony. Quando terminei o banho, respirei fundo e fiz o que Jon disse. Usei os produtos profissionais para cuidados com a pele e os cabelos. Passei uma máscara de hidratação no cabelo e no rosto. Depois, Jon e eu fizemos as unhas. Ele pintou as suas com uma base incolor com um pequeno brilho, enquanto eu optei por um esmalte preto. Ainda estava desanimada, mas era melhor me ocupar com Jon do que ficar pensando o tempo todo em Rony e Vanusa. Meu coração estava partido duas vezes, e era doloroso demais.






