CAPÍTULO 04

AMANDA NARRANDO:

— Desculpa por te fazer perder o sono. — Disse, me sentindo culpada.

— Não se preocupe. Cheguei exausto do trabalho, tomei uma garrafa inteira de vinho sozinho, fumei e dormi. Só assim para me desligar depois do dia de hoje. — Jon explicou, acendendo um baseado.

— Está com problemas com a sua chefe? — Perguntei, pegando o baseado que ele me passou.

— Não, agora estou trabalhando com o primo da minha patroinha. Ela se mudou para o México e tive sorte de continuar com meu cargo, mas o leãozinho parece estar possuído pelo diabo nos últimos meses. — Jon comentou, tomando seu vinho.

— Leãozinho? — Sorri, reconhecendo o hábito de Jon de dar apelidos carinhosos.

— Bem, ele é todo grande, forte, musculoso, parece um leão. Ultimamente vive de mau humor, está completamente estressado. Pelo que consegui descobrir, parece que foi traído pela esposa. Eu o conhecia antes disso, ele era sorridente, educado. Até tive um crush nele quando entrei na empresa, mas agora parece o verdadeiro cão. — Jon comentou, rindo amargamente.

— Independente do que ele esteja passando, é errado descontar nos funcionários, Jon. Você precisa processar esse homem por danos morais, abuso ou algo do tipo... — Fiquei irritada ao ver as olheiras de Jon e seu rosto abatido.

— Não vou fazer isso, docinho. Graças à minha patroinha terminei minha faculdade de administração, comprei esse loft, comprei meu carro, paguei o empréstimo que fiz para cuidar da saúde da minha avó. Tenho um ótimo salário, não quero sair daquela empresa até conseguir comprar meu apartamento, e meus patrões não são bons inimigos. Prefiro-os como amigos. — Ele explicou, dando um trago.

— Você estudou muito para aceitar um patrão tão folgado que passa dos limites. — Falei, preocupada.

— É só uma fase, docinho. Ele não vai ser assim para sempre... eu espero. — Jon disse, exalando a fumaça.

— Eu entendo você, Nutella. Pelo menos tem um bom emprego. Nós pobres não temos chance de escolher, não é? Ainda não sei como vou fazer para ter uma casa. Ganho apenas quatrocentos euros com o estágio no estúdio. Isso não chega perto de um aluguel na Sicília fora os outros custos. — Disse, sentindo-me desolada.

— Docinho, eu acho lindo seu trabalho fazendo fotos de bebês, mas você precisa de um trabalho que te pague melhor. Na verdade, sua mãe deveria te dar uma boa mesada com o valor que ela deve faturar com aquele mercado bem no centro da cidade. Não me conformo de sua mãe estar sempre com roupas de luxo, carro do ano e você comprando em brechó, amiga. Que casaco é aquele? — Jon disse, dando seus palpites de moda.

— Foi o primeiro que encontrei, é antigo. Eu compro em brechó porque os preços são incríveis, além de ser o que cabe no meu orçamento. Minha mãe diz que o mercado dá mais gasto do que lucro com todos aqueles produtos e funcionários. Meu pai pagava uma mísera pensão até meus dezoito anos, para ajudar nas contas de casa. Ou seja, sobrava para minha mãe ter que comprar nossa comida e cuidar de tudo. Eu queria me tornar uma fotógrafa profissional, vou me formar mês que vem, mas não tenho condições nem de comprar os equipamentos. Agora vou ter que morar sozinha... Acho que escolhi a faculdade errada Nutella, perdi todos esses anos — Disse, tomando mais vinho e sentindo que perdi todo meu chão.

— Não seja pessimista, docinho! Você vai encontrar algo. Eu até te indicaria lá na empresa, mas o leãozinho proibiu a contratação de mulheres por enquanto. — Jon revirou os olhos, exasperado.

— Seu patrão é um babaca escroto, isso é fazer acepção de pessoas. Deveria ser crime. — Respondi, irritada.

— Os ricos podem tudo, docinho. Mas não se preocupa, tenho certeza de que vamos achar alguma vaga. Mais tarde falamos sobre isso, agora meu sono voltou. — Ele disse, levantando-se. Só então percebi que tomamos duas garrafas de vinho enquanto conversávamos.

— Não sei como te agradecer por me deixar ficar aqui, Nutellinha. — Disse, ajudando a colocar as coisas na cozinha e pegando um edredom limpo e travesseiros no closet do andar de cima.

— Apenas descanse, docinho. Pode ficar à vontade. O banheiro é lá em cima, depois do meu closet. Eu não me importo se fizer barulho. Durma bem. — Ele disse, subindo para seu quarto.

— Eu já vou deitar, mas obrigada. Bons sonhos, Nutellinha. — Disse, sentindo-me um pouco mais tranquila.

— Bons sonhos, docinho. — Ele respondeu, mandando um beijinho antes de ir se deitar.

Respirei fundo, deitando no sofá e me ajeitando com o edredom. Minha mente parecia querer me fazer pensar nas cenas do flagrante, e eu me virei de um lado para o outro, tentando ignorar. Pensei em outra coisa até pegar no sono, finalmente encontrando um pouco de paz.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App