A galeria de arte no Soho era um monumento à pretensão humana. Paredes de gesso de um branco ofuscante, iluminação fria e cirúrgica direcionada para telas abstratas que custavam mais do que Savanah Albuquerque ganharia em anos de trabalho árduo, e um mar de pessoas vestidas de preto bebendo champanhe barato em taças de plástico. Savanah apertou a pasta preta de portfólio contra o peito, sentindo-se um peixe fora d'água. Suas fotografias — cruas, sujas, focadas na decadência real de Nova York —