O pó suspenso na luz que filtrava pelas janelas altas do ateliê Duarte parecia flutuar sobre as ruínas de um sonho. Sofia Duarte passou a mão sobre o tampo de carvalho de sua mesa de desenho, sentindo os sulcos deixados por décadas de projetos arquitetônicos que haviam moldado o rosto de Milão. Ali, entre rolos de papéis vegetais amarelados e maquetes de gesso descascadas, o cheiro de madeira velha e café frio era o único conforto que lhe restava. No entanto, até mesmo aquele ar parecia pesado