CAPÍTULO 6.2

- Você está bem? – Perguntei-lhe, logo que entramos em casa. Ela não disse uma palavra durante todo o percurso até em casa.

- Sim, apenas com dores por passar tanto tempo sentada.

- Eu me refiro a Matteo? Você está bem depois daquilo?

- Eu não quero falar sobre isso. – Mesmo tendo passado algumas semanas, nós nunca efetivamente conversamos sobre o que aconteceu naquele dia na Toscana. Mas eu não iria mais adiar.

- Giovanna, em algum momento nós vamos ter que falar sobre isso. Quinze dias se passaram desde aquela tarde dos horrores e eu tenho tentado ser uma boa amiga e esperar o seu tempo. Mas eu preciso falar...

- O que você quer dizer Penny.

- Eu quero dizer que Matteo é um imbecil...

- Isso eu já sei de primeira mão. Por favor, seja mais original.

- Não me interrompa quando estou falando. – Eu agora estava furiosa. Eu mereço algum respeito aqui. Estou há dias vivendo em função do que Giovanna tem passado e eu faço isso de coração. Mas eu não vou ficar no meio desse fogo cruzado sem ao menos ter o bônus de dizer o que eu penso. – Eu dizia que ele é um imbecil, mas ele é louco por você. Eu não acho que ele esteja certo, mas eu também acho que você não está.

- Ai que ótimo, agora a culpa é minha.

- Você mentiu pra ele...

- Penélope eu...

- Você mentiu, porra! Pra ele, pra mim, pra todo mundo. Mas... eu entendo que você tenha escondido de mim, embora eu ainda me sinta um pouco magoada sobre isso se você quer saber, mas com Matteo foi pior... – Eu sabia que eu estava pegando pesado, mas alguém tinha que fazê-lo. Veja, eu não estou defendendo aquele desgraçado. Eu mesma quero mata-lo às vezes, mas Matteo errou na medida da sua reação para com Giovanna. Ele deveria ter sentado e conversado com respeito e sem agressões e acusações de qualquer natureza. – Você não só escondeu a sua identidade, minha amiga... você manteve a farsa mesmo depois de descobrir quem ele era. E você usou isso a seu favor, então... eu não estou te recriminando, mas eu posso compreender como ele se sentiu enganado. Ainda mais depois do que aconteceu com a ex-esposa dele. Tudo que você tem a fazer é se colocar no lugar dele por um segundo e você vai entender como ele se sente. E você sabe tanto disso que você mesmo confessou pra mim que temia a descoberta. Você sabia que estava fazendo algo errado, Gi, e sabia que era apenas uma questão de tempo.

- Droga. Olha, eu posso até ter feito tudo isso que você falou, mas você estava lá, você viu as coisas que ele disse... ele insinuou que o nosso filho...

- Eu sei e ele merecia um soco por isso também. Eu mesma tratei de dar-lhe um dois dias atrás. Ele foi infantil e um idiota. Mas o meu palpite é que ele estava ferido e queria te ferir também de alguma forma. Ele feriu o irmão dele na mesma sentença e ele teria ferido qualquer pessoa que cruzasse o seu caminho naquele dia. Matteo estava transtornado. Não justifica, ouça-me bem, não tem justificativa, mas é compreensível se você analisa o contexto.

- Você se ressente por eu não ter contado sobre quem eu era?

- Honestamente? – ela assentiu com um gesto de cabeça – Eu me senti enganada e, pior, eu senti como se você não confiasse em mim o bastante para me contar algo tão grande. Tão importante pra você.

- Eu confio em você.

- Olha, eu ainda seria a sua amiga, mesmo que você não quisesse. Mas, por mais que eu entenda suas razões, eu não posso dizer que não fiquei triste sobre isso.

- Eu sinto muito.

- Tudo bem. Você sabe que é só me deixar te dizer alguns desaforos e quem sabe te dar umas t***s que fica tudo bem entre a gente. Mas o que eu quero é que você seja feliz. – e era o que eu realmente desejava.

- Obrigada. Eu só preciso dormir um pouco, Penny. Foi um dia intenso e amanhã tem mais. Vamos deixar essa conversa para outra hora. – ela foi para o seu quarto, pondo fim à conversa e eu fiquei ainda um tempo na sala. As palavras que saíram da minha boca ainda martelando na minha cabeça. Bem, éramos amigas e amigas são honestas.

~*~

- O que você quer aqui? – Perguntei baixinho para não acordar Giovanna. Eu estava perplexa que Matteo teve o descaramento de aparecer hoje. Ainda mais depois da tentativa que ele fez no evento ontem à noite. – Será que eu vou ter que te dar outro soco para fazer com que você desapareça de uma vez.

- Eu mereço todos os socos do mundo – ele disse para minha surpresa. – mas eu preciso falar com Giovanna. Eu... eu fui um idiota e eu preciso que ela me perdoe.

- Ela não quer te perdoar. Será que você não entende? Você fez a maior merda do caralho de todos os tempos. O que você espera? Que ela apenas esteja sorrindo quando você subir lá?

            - Olha, você tem toda razão por estar chateada.

Hã? – Eu não estou chateada.

- Por estar preocupada.

- Eu não estou preocupada. – falei com uma voz suave, mas firme, que não deixava dúvidas dos meus sentimentos por ele – Eu estou te odiando e determinada a te matar se essa for a única maneira que eu possua para te impedir de magoar a minha melhor amiga.

- Eu não estou aqui para magoá-la. Eu só quero consertar as coisas entre a gente.

- Você tentou isso ontem e apenas conseguiu aborrecê-la. Além disso, ela carrega o meu sobrinho. Sou uma tia. Ainda não sei muito bem o que isso quer dizer, mas eu não vou deixar você encher o saco do bebê, pois segundo algumas pesquisas que eu fiz, a criança sente quando a mãe não está bem. Então você só vai magoar duas das pessoas que eu amo. – eu realmente estava pesquisando sobre gravidez.

            - Penny, eu aprecio o cuidado que você está tendo com eles, mas você acha que ela está bem? Seja honesta. – realmente ela não estava – ela não está bem sem mim. Eu sei que eu fodi tudo, ok? Mas eu a amo e eu quero cuidar dela e do bebê. Eu não quero que ela enfrente essa barra sozinha. É meu dever como pai. Além disso, eu a amo muito e eu quero acertar as coisas com ela.

            Pensei a respeito um instante. Eu não podia tirar de Giovanna o direito de escolher sobre mantê-lo ou expulsá-lo. Não cabia a mim isso, embora eu quisesse muito fazer isso – Dez minutos. Eu estava de saída, mas uma vez que você está por aqui, eu não vou deixa-la sozinha muito tempo com você. Vou até a padaria da esquina comprar um bolo que ela adora e estarei de volta para me certificar que ela está bem. Se você a aborrecer, vou atirar na sua cara.

            - Você tem uma arma?

            - Ainda não. Mas se você a magoar de novo. Eu vou sair daqui direto para comprar uma e ter umas aulas de como acertar a porra da sua cara e o meu alvo vai ser o seu focinho. - ameacei

            - Combinado.

            Desci as escadas, mas liguei pra Tony antes mesmo de chegar à padaria.

- Penélope.

- O filho da... quero dizer, seu irmão está aqui.

- Onde é aqui?

- Na minha casa. Eu o ameacei, mas de alguma maneira ele me convenceu de que era Giovanna que tinha que decidir se queria vê-lo ou não. Eu dei-lhe dez minutos enquanto vou a padaria da esquina. Depois disso, eu mesma vou expulsá-lo.

- Dê-lhe mais algum tempo. Eles precisam conversar. Ele não vai fazer nada estúpido.

- Ele é estúpido. Como posso esperar que ele não faça nada do tipo?

- Ele está desesperado. – eu suspirei. Isso significava que eu teria que arrumar algo pra fazer na rua a fim de dar mais tempo pra eles conversarem – eles precisam se entender, Penélope. Almoce comigo. Deixe-me ver você.

- Melhor não.

- Eu não vejo por que não. Apenas um almoço.

- Se eu bem me lembro, toda essa história começou com um jantar. Estou enganada?

Ele riu e foi o som mais sexy que ouvi – Na verdade, está. Tudo isso começou no momento em que eu vi você naquele clube. Estarei aí em dez minutos.

- Tony... – ele desligou e eu comecei a digitar uma mensagem de texto. Mas a quem eu estava enganando? Eu queria vê-lo, mas não apenas isso. Queria tocá-lo, beijá-lo, sentir o seu cheiro, o seu desejo. Ele faz com que eu me sinta uma pessoa completamente contraditória. Eu nunca consigo estar certa de nada quando se trata de Antony Mazza.

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