Capítulo 6
Clara permaneceu do lado de fora, observando em silêncio a intimidade entre os dois.

Percebendo que eles não tinham a menor intenção de parar, chamou um fotógrafo que estava por perto.

— Você pode tirar um retrato meu? Quero em preto e branco.

O fotógrafo levou ela até outro estúdio, tentando convencer ela de que fotos em preto e branco não eram tão bonitas.

Mas Clara insistiu.

Porque aquela seria... uma foto para depois da morte.

Sem alternativa, ele fez o que ela pediu.

Quando a foto ficou pronta, a movimentação no estúdio ao lado também havia terminado.

Júlia apareceu com as fotos na mão, o rosto carregado de culpa.

— Desculpa... eu e o Heitor nos empolgamos e acabamos esquecendo de você. Que tal vocês dois tirarem algumas fotos agora?

Clara olhou para Heitor atrás dela, que evitava encarar ela, e esboçou um leve sorriso.

— Não precisa.

Heitor também percebeu que tinha passado dos limites.

A culpa dentro dele só aumentava.

Ele se apressou em empurrar a cadeira de rodas, dizendo que iria comprar um colar para compensar.

Júlia quis ir junto, dizendo que também queria escolher um par de brincos e ajudar Clara a decidir.

Os três caminharam pelo shopping por algum tempo.

De repente, Heitor recebeu uma ligação da empresa.

Como o ambiente estava barulhento, disse que iria até o estacionamento para atender.

Clara não demonstrava interesse por nada. Disse que queria ir embora.

Júlia então começou a empurrar a cadeira em direção ao elevador.

Mal tinham avançado alguns passos quando o alarme de incêndio disparou.

Uma multidão começou a correr em direção à saída.

No meio do empurra-empurra, a cadeira de rodas foi derrubada.

Clara caiu com força no chão e foi pisoteada inúmeras vezes pelas pessoas que passavam correndo.

Com dificuldade, conseguiu se agarrar a uma grade próxima e erguer a cabeça.

E então viu Heitor.

Ele vinha na direção contrária ao fluxo da multidão, abrindo caminho com desespero.

Sem hesitar, afastou as pessoas e puxou Júlia para os braços.

A voz saiu embargada:

— Júlia... ainda bem que você está bem... você me assustou!

Júlia lançou um olhar rápido para Clara caída no chão.

Ao perceber que ela tinha visto, fez uma expressão constrangida.

— Heitor... tinha muita gente agora há pouco. A Clara acabou caindo.

Ele seguiu o olhar dela.

Ao ver Clara coberta de ferimentos, ficou completamente paralisado.

Ele soltou Júlia rapidamente e se abaixou para ajudar ela, com o rosto tomado pela culpa.

— Tinha muita gente, eu não te vi... me desculpa.

Clara não disse nada.

Seu rosto estava calmo, como se nada tivesse acontecido.

Os três saíram em silêncio.

Ao passarem por um casal, Clara ouviu a garota reclamando em voz baixa:

— Estava tão perigoso agora... todo mundo correndo para sair, e teve um cara que entrou no meio da multidão. Disseram que a pessoa que ele gosta estava lá dentro... quando você vai fazer algo assim por mim?

Ao se lembrar da cena que acabara de presenciar, a mão de Clara, escondida sob a manga, tremeu levemente.

E então uma lembrança antiga veio à mente.

No ensino médio, ela foi cercada por alguns delinquentes em um beco, armados com barras de ferro.

Foi Heitor, com uma faca na mão, que avançou sem pensar duas vezes e a salvou.

Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda tinha aquela coragem de se lançar sem hesitar.

Só que, agora...

A pessoa que ele queria salvar já não era mais ela.
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