A névoa matinal que subia dos vales da Mantiqueira ainda lambia as vidraças do ateliê quando a primeira luz do dia tocou as prateleiras de secagem. O Pátio das Hortênsias operava em um compasso de serenidade produtiva. O som do torno elétrico, o estalo suave da lenha nos fornos e o murmúrio baixo das mulheres da Cooperativa Flor de Jericó teciam a trilha sonora daquele refúgio. Para Clara Mendes, cada peça de porcelana que ganhava forma sob suas mãos era um pacto com o presente — uma afirmação