A madrugada profunda na Serra da Mantiqueira impunha um silêncio que beirava o sagrado. Lá fora, o vento de julho havia diminuído para um sopro constante, mas o frio continuava a estalar os galhos das araucárias e a cobrir as folhas de hortênsia com uma fina e brilhante película de geada. No interior do ateliê de pedra, contudo, o tempo parecia obedecer a uma física própria, ditada pelo isolamento rústico das paredes grossas e pelo calor residual das cinzas que ainda reluziam no ventre do fogão