O vento frio que soprava das montanhas de Higienópolis naquela noite de segunda-feira parecia encontrar eco dentro do imenso apartamento triplex de Arthur Albuquerque. O silêncio ali era diferente daquele que Clara vivenciava na serra. Era um silêncio oco, pesado, interrompido apenas pelo tique-taque ritmado de um relógio de parede de fabricação alemã e pelo som abafado dos passos da pequena Clarice no andar superior.
Arthur estava sentado na biblioteca, o terno cinza do dia de trabalho já lige