Mundo ficciónIniciar sesiónSerena:
— Acho que devíamos entrar em contato com a equipe do senhor Alexander então.
A voz grossa saiu séria. Não agressiva. Não debochada.
Séria.
Quando ergui os olhos, vi o brilho diferente ali. Um interesse genuíno. Por um segundo — juro que por um segundo — achei que o canto da boca de León quase ensaiou um sorriso.
— Na verdade, señores… Klaus estava presente na quarta palestra. — Respirei fundo. — Sentou-se ao meu lado. Começamos a conversar depois que ele pediu minha caneta emprestada.
— Sua caneta?
O tom de León era polido. Educado. Mas a insinuação estava ali. Uma lâmina fina.
— Sí, señor. Mi caneta. — Endireitei os ombros, segurando meu próprio temperamento. — Klaus Kong é filho do senhor Alexander. Ele estava interessado nos dados sobre o comércio sul. Conversamos longamente. Ele me convidou para almoçar com ele e…
— Claro. Que surpresa. A estagiária estava paquerando.
Os olhos negros de Nikolai me atravessaram. Havia zombaria ali.
E algo mais.
Algo que parecia… irritação.
— Dios mio, cabrón… — rosnei entre os dentes.
Eu não ia contar tudo.
Não ia contar que, depois de uma discussão técnica intensa sobre mercado industrial, Klaus me ofereceu uma vaga integral no comitê administrativo de Chicago da Hartmann.
— Por que trouxemos essa maldita estagiária, León?
Ele virou para o primo, ignorando completamente minha presença.
— Se me chamar de bastardo outra vez, vou te pôr nos meus joelhos e dar os t***s que tanto pede.
Meu coração falhou uma batida.
Ele não estava brincando.
Seus olhos escureceram.
Sua boca ficou rígida.
Aquilo não era ameaça vazia.
— Porque, meu adorável primo, seu irmão queria testar nossa paciência… — León respondeu, gesticulando com irritação contida antes de voltar para mim. — Continue, senhorita Beaumont.
Eu ergui o queixo.
— Ele me convidou para almoçar com ele e sua equipe. O senhor Alexander estará presente.
Olhei diretamente para Nikolai.
— Sugeri que fosse no Cassino Rooltes. E disse que levaria meus chefes comigo.
Cruzei os braços.
Estufei o peito.
Eu não tinha estudado anos para servir café.
— Sua pequena diabinha latina…
Foi a primeira vez que León me elogiou. Ainda que torto. Ainda que perigoso.
Sorri.
— Teremos vantagem sobre a Trank. Vamos pegar a baleia inteira.
— Deus… como essa estagiária é maquiavélica.
— Vou tomar isso como elogio, señor Nikolai.
Antes que a tensão aumentasse, a porta do elevador se abriu.
E fomos empurrados.
Empresários invadiram o espaço como uma manada.
Senti uma mão firme no meu ombro.
Outra na minha cintura.
Fui puxada para dentro.
Prensada.
E então percebi.
Eu estava no meio deles.
León à minha frente.
Nikolai atrás.
Espremida entre dois dos homens mais perigosos e malditamente sexies que já cruzaram meu caminho.
As mãos de León deslizaram pelos meus braços, como se me acalmassem. Como se me protegessem do empurra-empurra.
Eu não me afastei.
Não consegui.
O cheiro dele me invadiu inteiro. Amadeirado. Quente. Masculino.
Minhas mãos espalmadas no peito dele sentiram a solidez. Firme. Rígido. Deliciosamente sólido.
— Você tá bem, pequena?
A voz baixa roçou meu ouvido.
Eu derreti.
— Sí… señor…
— Muito bom. Não queremos que nossa pequena diabinha se machuque, não é?
Ele ergueu o rosto, os olhos escurecendo.
Então senti.
Quatro mãos.
As de León.
As de Nikolai.
Firmes na minha cintura.
Ajustando-me.
Protegendo-me.
Ou me possuindo?
— Não. Não queremos.
O elevador parou.
Mais gente entrou.
Fiquei ainda mais espremida.
E então senti.
Algo pressionando minha bunda.
Não era celular.
Não era carteira.
Era grosso.
Mesmo adormecido.
E estava ali.
As mãos na minha cintura apertaram mais.
Como se me marcassem.
— Poderia ir um pouco mais para trás?
Empurraram Nikolai.
E ele me pressionou ainda mais contra León.
Minha bolsa caiu.
Desesperada, enfiei a mão entre nós para pegá-la.
Mas fui prensada novamente.
E então…
Minha mão não segurou alça alguma.
Segurou algo quente.
Algo firme.
Algo que pulsou sob meus dedos.
— Dios…
Ergui os olhos.
León me encarava.
Os olhos azuis queimando.
— Acho que isso não é sua bolsa… docinho.
A voz rouca arrepiou cada centímetro da minha pele.
O elevador solavancou.
Nikolai se ajustou atrás de mim.
Sua respiração quente pairou no meu pescoço.
Inalando meu cheiro.
Seu pau roçou minha bunda.
Dessa vez, não foi acidente.
Eu sabia.
O som da respiração dele ficou mais pesado.
Eu devia parar.
Devia.
Mas tudo que eu ouvia era minha própria vagina implorando.
Os boatos ecoaram na minha mente.
Eles dividiam.
Dividiam mulheres.
Dividiam poder.
Gostavam de controle.
Sozinha em casa, eu já tinha imaginado como seria ser tomada pelos dois.
Agora?
Eu estava vivendo.
Os dedos de León subiram pelo meu ombro. Brincaram com minha trança. Jogaram para o lado.
Sua mão deslizou pela linha do meu pescoço.
Minha calcinha estava encharcada.
— Señor…
Minha voz saiu como gemido.
Minha mão ainda segurava o volume dentro da calça dele.
E eu apertei.
Lentamente.
Movendo os dedos.
O som rouco que saiu da boca de León me atravessou.
Ele se aproximou.
Meu olhar caiu na boca dele.
A boca que eu imaginei tantas noites.
Ele baixou o rosto.
Eu quase fechei os olhos.
Mas ele desviou.
O nariz roçou meu pescoço.
Seu cheiro me incendiou.
— Chegamos no seu andar, pequena ninã… — murmurou. — Preciso que solte meu pau, docinho… antes que a gente tenha que brincar de verdade.
A realidade me atingiu como um tapa.
Eu ainda estava segurando o pau do meu chefe.
Soltei rápido.
Quase tropecei para trás.
O elevador estava vazio.
Só nós três.
Décimo sexto andar.
— Sua bolsa, Serena.
Nikolai entregou.
— O-obrigada, señor…
Eu só queria correr.
— O prazer foi meu, cariño.
Ele sorriu.
Breve.
Perigoso.
— Boa noite, senhorita Beaumont.
León segurou a porta.
— Boa noite, señores.
Eu praticamente corri pelo corredor.
Minhas pernas estavam moles.
Desbloqueei a porta com dedos trêmulos.
Entrei.
E antes de fechar completamente…
Olhei.
Eles ainda estavam lá.
León segurando a porta.
Nikolai ao lado.
Ambos me encarando.
Silenciosos.
Famintos.
— Dios mio…
Fechei a porta com força.
Encostei a testa nela.
— M****a.







