Mundo de ficçãoIniciar sessão
Evangeline
Eu amo o meu trabalho. Sei que o meu papel como assistente social do CRAS é importante e necessário. Quando eu tinha dez anos, vi dois meninos vendendo balas nas ruas. Minha mãe sempre me levava para tomar sorvete depois que me buscava na escola. Eu perguntei para ela: — Mamãe, aqueles meninos não deveriam estar voltando da escola? Então ela me explicou que várias crianças trabalhavam para levar comida para dentro de casa. Minha mãe deu uma boa quantia em dinheiro para os meninos e, no dia seguinte, entrou em contato com o conselho tutelar, que descobriu que os pais dos meninos eram dois viciados que usavam os filhos para sustentar o vício. os pais sumiram e foram encontrados mortos em uma comunidade provavelmente foram mortos por algum traficante. é muito triste ver pessoas que se destroem devido as drogas os meninos estavam bem no abrigo Eu e mamãe íamos visitá-los constantemente. Depois de um ano, os meninos foram adotados por um casal de bom coração. Infelizmente, outras crianças não tinham a mesma sorte. Então, um dia, eu olhei nos olhos da minha mãe e disse que, quando crescesse, iria me tornar assistente social e que não pouparia esforços para proteger as crianças. Ela ficou muito feliz. Minha mãe sempre foi a minha melhor amiga. Mas, infelizmente, ela perdeu a vida devido a um acidente de carro. Otávio, meu pai, que dizia amar a minha mãe, se casou dois meses depois com Silvia, a melhor amiga da minha mãe. Então percebi que o meu pai não era o homem correto que eu imaginava. Termino de me maquiar e saio do quarto. Encontro Silvia na sala, com o rosto todo melado de um creme verde. Tento sair antes que ela me veja. Mas falho miseravelmente na tentativa. — Não sei por que diabos você acorda tão cedo para ganhar um salário miserável. Reviro os olhos. — Porque eu amo o meu trabalho. Você deveria arrumar um, ao invés de ficar sem fazer nada o dia todo. — Deus me livre acordar antes do galo cantar para ganhar um salário mínimo. Como vou comprar o meu caviar? — Silvia, eu não tenho tempo para as suas besteiras. Tenho hora para chegar Ela se aproxima e segura meu braço. — O dinheiro que o inútil do seu pai deixou está acabando. Como vamos sustentar esta casa? A empregada está no meu pé querendo um aumento. — Então vamos vender esta casa e dividir o dinheiro. — Mas nem pensar! Não vou morar em um barraco no subúrbio. A casa em que a gente mora não é uma mansão, mas é grande e confortável. Otávio, meu pai, nunca foi rico. Contudo, ele tinha uma empresa de publicidade que era bem lucrativa. Mas ele gastava o dinheiro que não tinha. Resultado: se afundou em dívidas e teve que vender a empresa. Meses depois, ele foi para o cemitério e tirou a própria vida. Todos acham que ele se matou porque estava depressivo. Mas eu tenho certeza de que alguém o forçou a fazer isso. — O senhor Rodrigues está interessado em você. Ele é rico, vai te dar uma boa mesada. A encaro com nojo. — Você ficou maluca? Aquele velho tem idade para ser meu avô e, além disso, ele é casado. — Deixa de ser burra, garota. O senhor Rodrigues é a nossa salvação. Eu não quero morrer de fome. Liberto meu braço do aperto dela. — Fique com ele, você, que tem experiência em ser uma vadia destruidora de lares. Ela levanta a mão para me dar um tapa. Seguro sua mão. — Sua vadia... Você vai ter um caso com ele, sim. A empurro, e ela cai no chão. — Tome vergonha na sua cara. Eu vou me casar por amor, não sou uma vagabunda igual a você. Silvia ri. — Eva, você ainda tem a ilusão de se casar com Danilo Cavalcanti? Ele não está nem aí para você, sua burra iludida. — Tchau. Digo e saio de casa. A minha vontade é alugar um quarto de pensão. Quer saber? É isso que vou fazer. Não aguento mais conviver com aquela cobra. Chego ao CRAS e vou para minha sala. Faço alguns relatórios e, logo depois, como cuscuz com ovo, que trouxe de casa. Tomo café com leite para ajudar a descer. Carla, minha colega, entra na minha sala. — Eu não entendo como uma mãe prefere gastar dinheiro com homem do que com os próprios filhos. Diz ela, sentando-se de frente para mim. — E o pai? — É outro vagabundo que gasta o dinheiro com mulheres e bebidas... Partiu meu coração ver as crianças comendo água com farinha para enganar a fome, enquanto a mãe estava torrando o dinheiro do governo com homem e salão de beleza. Solto um suspiro. — É de cortar o coração mesmo... E aí, tem algum familiar que possa acolher as crianças? — Pior que não... Elas vão ter que ir para um abrigo. Fico em silêncio, e Carla também. Seco uma lágrima. Se eu pudesse, levaria todas as crianças rejeitadas pelos pais para morar comigo. — Mudando de assunto, a sua madrasta continua enchendo seu saco? — Você acredita que ela está me empurrando para um velho rico? — Que mulher ordinária... Amiga, se eu fosse você, saía de perto dela. — É isso que vou fazer... Sabe de alguma pousada baratinha? — Infelizmente, todas estão ocupadas. Se a minha casa não fosse tão pequena e apertada... Carla mora com as duas irmãs, que são técnicas em enfermagem. — Eu vou achar um cantinho só meu... Nesse momento, meu celular vibra. É Jorge. O pai de Danilo. Ele quer me ver. respondo que vou ao encontro dele de noite.






