— A senhora é a esposa do Sr. Maurício Ávila, não é? Ele está no andar de cima. Quer que eu o chame? — Ainda assim, a enfermeira a reconheceu.
Só então Maitê se lembrou de que aquele hospital pertencia à família Ávila.
— Não precisa. — Ela balançou a cabeça e disse com a voz baixa.
Ainda assim, meia hora depois, Maurício desceu.
As sobrancelhas frias e severas do homem se franziram levemente, mas isso já era suficiente para criar uma pressão sufocante ao redor dele.
— Você sofreu um acidente de carro. Por que não me ligou?
— Foi só uma perna quebrada. Não é nada grave. — Maitê baixou os olhos.
O seu tom indiferente fez uma irritação inexplicável crescer no peito de Maurício.
Na memória dele, Maitê era extremamente delicada. Quando namoravam, bastava pegar um simples resfriado para ela se aninhar em seus braços, querendo carinho, beijos e consolo. Mas agora tinha quebrado uma perna e nem sequer o procurou.
Maurício estava prestes a dizer algo quando vozes vieram do corredor.
— O Sr. Maurício realmente adora a Srta. Diana.
— Pois é! A Srta. Diana só ralou um pouco o joelho durante as filmagens, mas o Sr. Maurício ficou desesperado. Chamou um monte de especialistas, ficou o tempo todo ao lado dela. Não importa para onde ela vá, ele a carrega no colo, nem deixa os pés dela tocarem o chão.
O coração de Maurício apertou de repente. Havia irritação em seu rosto, mas seus olhos, involuntariamente, se voltaram para Maitê, como se esperassem vê-la com ciúmes, fazendo escândalo. Mas ela nem sequer levantou os olhos. Permaneceu apenas deitada na cama, descansando em silêncio.
O humor de Maurício piorou instantaneamente.
— Não dê ouvidos ao que dizem. Diana machucou o joelho durante as gravações. Eu apenas a trouxe ao hospital no caminho. — Com a voz fria, ele explicou.
— Uhum. — Maitê murmurou e não disse mais nada.
— Você não acredita em mim? — Maurício se irritou de repente.
— Eu acredito. — Ela respondeu a tudo, mas suas respostas já não carregavam emoção alguma. — Diana é sua irmã adotiva. O que existe entre vocês é afeto entre irmãos. É natural que você cuide dela.
Antes, Maurício sempre a repreendia, dizendo friamente:
— Diana é minha irmã adotiva. É impossível eu ignorá-la. Somos apenas irmãos. Você pode parar de fazer cena?
Agora Maitê finalmente fazia exatamente o que ele queria. Ela não chorava mais, nem brigava mais. Maurício deveria se sentir satisfeito. Mas, por algum motivo, o peito dele parecia cada vez mais apertado.
Algo estava errado...
Nesse momento, a enfermeira entrou apressada no quarto.
— Sr. Maurício, a Srta. Diana disse que o joelho dela está doendo. O senhor pode subir para vê-la?
— Se o joelho dói, chamem um médico! Eu, por acaso, sei tratar disso? Para que me chamar?! — Maurício já estava irritado e respondeu instintivamente.
A enfermeira saiu, assustada. Então ele voltou o olhar para Maitê, cheio de culpa.
— Maimai, você ainda está sofrendo por causa do nosso filho? — Ele fez uma pausa antes de continuar. — O que aconteceu realmente foi culpa de Diana. Eu já dei uma lição nela. — Em seguida, caminhou lentamente até a cama e sentou-se ao lado dela. — Nós ainda teremos outros filhos. — Maurício segurou a mão dela. — Que tal, durante a próxima semana, eu ficar com você?
Maitê recuou a própria mão da dele, silenciosamente. Maurício franziu a testa, prestes a perder a paciência, quando um barulho alto veio da porta.
Diana, apoiada em uma muleta, havia caído na entrada do quarto.
Maurício correu imediatamente até ela e a pegou no colo.
— Por que você está correndo de um lado para o outro de novo? Eu não disse para você descansar na cama?
— Soube que a Maitê sofreu um acidente. Vim visitá-la. — Com os olhos marejados, Diana respondeu, encolhendo-se contra o peito de Maurício, como se estivesse sendo intimidada por Maitê. Em seguida, com a voz embargada, olhou para ela. — Maitê, por favor, não fique com raiva de mim. Eu não quis causar a morte do Biel.
Se fosse antes, Maitê teria desmoronado. Teria gritado, chorado até perder a voz e questionado Maurício sobre por que ele insistia em proteger a mulher que matou o filho deles. Mas agora, ela não disse nada. Permaneceu deitada, de olhos fechados, como se já tivesse adormecido. Seu rosto estava terrivelmente pálido, e seu corpo magro parecia prestes a se despedaçar ao menor toque.
O coração de Maurício doeu sem motivo aparente.
— Vou levar Diana de volta para o quarto. Depois volto para ficar com você. — Ele disse em voz baixa.
Então saiu carregando Diana nos braços e não voltou tão cedo.
De repente, Maitê recebeu uma ligação da Agência Aeroespacial.
— Professora Maitê, a senhora tem certeza de que deseja participar do Projeto Elevador Lunar? Este é um projeto confidencial de nível nacional. Uma vez que participe, terá de permanecer na base espacial por décadas, completamente isolada do mundo exterior. Nem mesmo seu marido poderá contatá-la.
— Tenho certeza. — A voz de Maitê era tranquila. — Não se preocupe. Eu já dei entrada no pedido de divórcio. Em uma semana, o período de reflexão terminará, e eu receberei os papéis oficiais. Então serei uma pessoa verdadeiramente livre, sem laços com ninguém. — Ela fechou os olhos lentamente. — Um projeto isolado do mundo é perfeito para mim.