Do outro lado da linha, a pessoa ficou claramente surpresa.
— Sra. Maitê, está falando sério? Todos na Agência Aeroespacial sabem o quanto a senhora ama o Maurício. Por ele, a senhora abriu mão de tantas oportunidades. Caso contrário, já teria se tornado a engenheira-chefe há muito tempo.
Uma dor aguda atravessou o coração de Maitê.
Ela sempre foi uma mulher da área de exatas. Diante de qualquer situação, mantinha calma e racionalidade, mas, quando se tratava de Maurício, o fio de sua razão se rompia instantaneamente. Ela só conseguia enxergar ele, pensar nele, amar ele.
O amor de Maitê por Maurício foi amor à primeira vista e, ao mesmo tempo, um amor cultivado ao longo dos anos.
Eles estudavam juntos desde o ensino fundamental. Todos ao redor brincavam, dizendo que eram a "dupla de gênios", porque, em todas as provas, as posições eram sempre previsíveis: O primeiro lugar era, sem exceção, Maurício. O segundo, Maitê.
Ela nunca aceitava isso. Estudava desesperadamente, querendo ultrapassá-lo, mas sempre fracassava.
O mais irritante era que Maurício era o típico gênio talentoso.
Ele quase nunca estudava e, ainda assim, permanecia firmemente no topo, olhando todos os outros de cima.
Por fora, Maitê vivia competindo com ele. Por dentro, já gostava dele havia muito tempo. E, no último ano do ensino médio, ela finalmente reuniu coragem para confessar seu amor. Corada, ficou diante dele e disse:
— Maurício, se depois do vestibular minha nota for maior que a sua, você aceita ser meu namorado?
Ela achava que seria rejeitada sem piedade, mas o jovem se aproximou lentamente e sussurrou junto ao ouvido dela.
— Se você for a melhor aluna do país este ano, eu me caso com você.
Era apenas uma frase dita em tom de brincadeira, mas Maitê levou aquilo a sério. Naquele último ano, estudou como se a própria vida dependesse disso.
E, no fim, conseguiu. Com a impressionante nota, tornou-se a primeira colocada nacional entre os estudantes.
Maurício também não voltou atrás em sua palavra. Diante da mídia nacional, pediu Maitê em casamento da forma mais extravagante possível.
A cena era absurdamente romântica. Ele contratou centenas de helicópteros para espalhar pétalas de rosas pela cidade inteira, transformando tudo em um imenso mar de flores.
— Maitê, eu amo você. Quando tivermos idade legal para casar, você aceita se casar comigo? — Ajoelhado diante dela, em meio à chuva de rosas, perguntou.
Naquele instante, Maitê acreditou ser a mulher mais feliz do mundo. Só muito tempo depois ela descobriu que Maurício não tinha feito aquele pedido porque a amava profundamente. Ele apenas precisava esconder o escândalo envolvendo ele e sua irmã adotiva.
Naquele ano, Maitê era o maior destaque nacional do vestibular, e todos os meios de comunicação estavam focados nela. Ela tinha atenção suficiente para desviar os holofotes do escândalo da família Ávila. Além disso, a história dos dois, colegas desde a infância, dois gênios acadêmicos competindo e crescendo juntos, era perfeita para emocionar o público. Por isso, Maurício a escolheu.
— Sra. Maitê? Está me ouvindo? — A pessoa do outro lado perguntou baixinho. — A senhora ficou em silêncio porque mudou de ideia? É compreensível. Afinal, a senhora ama tanto o Sr. Maurício...
Antes que terminasse de falar, Maitê o interrompeu:
— Eu não me arrependo. E nunca vou me arrepender. — Ela fechou os olhos. — Porque eu já não o amo há muito tempo.
Assim que terminou de falar, a porta do quarto foi aberta abruptamente e Maurício entrou. Sua expressão fria estava carregada de fúria, e seus olhos escurecidos transbordavam ameaça.
— Não ama mais? — A voz dele era baixa e perigosa. — Maitê, repita o que acabou de dizer. Diga de novo que não me ama mais.