Capítulo 4 - Suspeitas

Abri meus olhos e tentei me sentar, mas minha cabeça latejou e fui obrigada a ficar deitada.

Senti algo apertado em meu rosto e percebi que eu estava com uma máscara de oxigênio.

Também havia um saquinho de soro que pingava lentamente em um fio que estava conectado em meu pulso direito.

- Majestade?

Uma enfermeira se aproximou e me analisou por um momento.

- Ainda bem que acordou. Está se sentindo bem?

Ela tirou a máscara de oxigênio para que eu pudesse responder e eu puxei o ar lentamente, percebendo que meus pulmões doíam um pouco. Aliás, meu corpo todo estava dolorido.

- Não estou nada bem. - respondi com sinceridade.

Estranhei o som da minha voz, que estava rouca.

- Está sentindo dor em algum lugar?

- Tudo está doendo... - respondi.

A enfermeira suspirou e me analisou mais um pouco, olhando em meus olhos.

- Vou lhe trazer um remédio para dor...

- O que aconteceu exatamente? - interrompi, tentando ignorar a estranheza da minha voz mais uma vez.

- A senhorita ingeriu algum tipo de veneno. - ela explicou - felizmente foi em pouca quantidade, por isso conseguimos tirar tudo, mas a senhorita precisará ficar em observação por alguns dias para ter certeza de que não ficará nenhuma sequela.

- Quanto tempo fiquei desacordada?

- Pouco mais de um dia, majestade. Está aqui desde ontem de manhã e é quase hora do almoço.

Franzi a testa tentando organizar os pensamentos e só então percebi que alguma coisa não estava certa.

Coloquei a mão sobre a barriga e olhei para a enfermeira.

- O... o meu bebê... - as palavras se perderam quando eu vi a expressão no rosto dela.

- Sinto muito majestade, mas não conseguimos salvá-lo.

Aquilo foi um choque para mim e eu senti meu corpo todo gelar repentinamente. Todo o desespero que eu senti quando descobri que estava grávida se tornou nada naquele momento.

Senti as lágrimas se acumulando em meus olhos e o pânico formar uma bola e minha garganta.

Eu não podia acreditar naquilo.

Tudo o que eu havia feito, o casamento, todos os planos, tudo aquilo foi por causa da minha gravidez e agora...

Pisquei os olhos tentando afastar as lágrimas, mas ao invés disso elas rolaram pelo meu rosto teimosamente.

- Por favor... chame... chame o guarda que me trouxe aqui. Felipe. Chame Felipe, por favor. - pedi.

Comecei a sentir dificuldades para respirar, mas não me importei.

A enfermeira me olhou com a testa franzida.

- Vou chamar majestade, mas... sua família toda está na sala de espera querendo vê-la. Vieram logo pela manhã para saber se a senhorita estava melhor e estão esperando que acorde...

- Vou recebê-los depois. - respondi com firmeza.

Ela acenou com a cabeça e saiu.

Respirei fundo, tentando me acalmar para não passar mal.

Não demorou muito para que Felipe entrasse na sala e eu quase pulei da cama para tentar ir até ele, mas minhas pernas cederam ao meu peso e Felipe teve que correr para me segurar.

- Alice, o que está fazendo?

Ele me segurou firme e eu me agarrei nele e comecei a chorar.

Em um segundo coloquei para fora tudo o que estava preso em minha garganta e Felipe me abraçou com força enquanto eu soluçava em seu ombro.

- Calma... Fique calma. Vai ficar tudo bem.

- Não. Não vai ficar tudo bem. Eu... eu perdi o nosso bebê, Felipe. Eu o perdi.

- Eu sei... - ele murmurou baixinho e me apertou ainda mais, me deixando chorar mais um pouco.

- Sua família está esperando para vê-la. - ele falou depois de um tempo.

- Eu não quero ver eles.

- Mas precisa. - ele insistiu.

Suspirei.

- Tem mais algum guarda ali fora?

- Da Guarda do Sol só está o meu pai ali na sala de espera.

"Guarda do Sol", era como meus guardas pessoais haviam se autonomeado, e eu fiquei constrangida quando soube que o "Sol" se referia a mim.

- Chame ele e Kevyn e volte junto também. - pedi - E diga que não vou receber mais ninguém hoje. Falarei com eles outro dia.

- Tem certeza disso?

- Tenho. Eu preciso resolver algo. E precisa ser agora. O resto pode esperar.

- Tudo bem.

Ele me apertou contra seu peito mais uma vez e então saiu.

Logo depois que Felipe foi embora a enfermeira voltou trazendo um copo de água e um comprimido.

Bebi a água praticamente em um único gole, só então percebendo o quanto estava com sede.

- Você pode tirar isso de mim? - perguntei ao apontar para o meu pulso.

- Claro.

Ela retirou o soro e então colocou um curativo.

- Logo a médica virá examiná-la e aí te daremos algo para comer. Apenas tente não fazer nenhum esforço, majestade.

- Tudo bem. - concordei, apesar de não ter certeza se obedeceria.

Felipe entrou acompanhado de Marcelo e Kevyn e a enfermeira saiu novamente.

Meu estômago roncou e eu desejei que ela tivesse me dado algo para comer naquele momento, mas eu poderia esperar, haviam coisas mais importantes do que a minha fome.

Kevyn veio em minha direção como que para me abraçar, mas eu levantei a mão para para-lo.

- Precisamos ter uma conversa séria, Kevyn.

Ele franziu a testa, mas não falou nada.

- Ontem de manhã, antes que eu começasse a passar mal, a única coisa que eu comi foi o café da manhã que você deixou para mim.

Kevyn arregalou os olhos surpreso.

- A-Alice... Eu...

- Eu fui envenenada, Kevyn. Quase morri e perdi o meu filho. E o veneno que fez isso estava no café da manhã que você deixou no quarto para mim. O que tem a dizer sobre isso?

- Alice, eu nunca faria uma coisa dessas. Eu juro... Eu te amo, você sabe disso. E você estava esperando um filho meu, por que eu faria isso?

Engoli em seco.

- Eu não sei. Por quê?

Kevyn deu um passo em minha direção parecendo desesperado, mas Felipe e Marcelo se aproximaram dele com as mãos sobre as armas que carregavam no cinto.

- Alice, eu juro que não fiz isso. Eu amo você. Por favor, você precisa acreditar em mim.

Os olhos de Kevyn se encheram de lágrimas e ao vê-lo desesperado daquela forma me deu ainda mais certeza de algo que eu já desconfiava.

- Eu acredito em você. - falei.

Ele ficou paralisado, me olhando de olhos arregalados, ainda tentando se recuperar.

- Nunca pensei realmente que você teria feito isso, mas precisava ter certeza. O problema é: Se não foi você, então quem foi?

- E-eu não sei. Qualquer um poderia ter feito isso.

- Qualquer um é muito vago, Kevyn. Meu quarto é vigiado o tempo todo, então o veneno foi colocado antes de você levar a bandeja. Patrícia nunca me envenenaria, então foi depois de ela ter feito tudo. Me dê nomes, Kevyn! Preciso que diga tudo o que aconteceu aquele dia. Preciso que diga quem mais teve acesso àquela bandeja antes de você levá-la para mim!

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