Capítulo 2

 Júlio Martim

 

   Sou o mais novo dono da empresa de cosméticos Desing & Stilo, a antiga dona não conseguiu administrar e começou a quebrar, por isso desistiu antes de falir e vendeu, eu adquiri mais um negócio em meio a vários que tenho.

    Comecei investindo em comércios que já não iam bem há alguns anos, por vontade de ter um dinheiro que não venha da empresa do meu velho pai, não por falta de amor ou por temos algum atrito, mas porque quero ser independente dele, já que me sustentou muito nessa vida. O primeiro investimento foi uma lanchonete de grande porte só que mal administrada, a transformei em um restaurante aconchegante e simples, depois mais duas lojas de roupa e outra lanchonete, agora me aventurei nessa nova loja.

Olho no relógio e vejo que se não me apressar vou me atrasar muito, saio de casa correndo e entro no carro acelerando pelas ruas, faço a curva e acelero mais um pouco, não vejo a poça e nem a mulher, é tarde demais molhei toda a sua calça, escuto o grito e ofensas dela, estou focado no trânsito que flui não consigo parar nem se quisesse.

Chego à loja e sou recebido pela antiga dona que me leva até o escritório da loja, e vai me passando tudo o que ainda falta.

     — Bom dia Margaret, desculpe o atraso dormi tarde ontem vendo um pouco da papelada das contas e do estoque dos meus outros negócios, você está bem?— pergunto a ela com um sorriso gentil.

     — Estou bem Júlio, sem problema foi bom que deu para me despedir da sala onde morei por alguns anos. — rimos do seu comentário, conversamos um pouco, ela me entrega as chaves do estabelecimento se despede e vai embora. Assim que sai vou organizando os papéis da maneira como gosto.

Termino um pouco da planilha das contas e vou à frente da loja para ver o movimento e as pessoas trabalhando, comprimento um rapaz que está atendendo uma mulher morena e mais duas mulheres uma no caixa e outra também atendendo, sigo olhando quando vejo a mulher que sujei a roupa, vou até ela para me desculpa, e chego a tempo de ouvir uma cliente falando com ela com falta de respeito e superioridade.

       — Olá bom dia, sou Júlio em que posso ser útil?— estendo a mão para a mulher linda, mas não gosto de pessoas esnobe e mal-educada, ela me olha de cima para baixo como se fosse me comer, sorrio para ela.

— Bom dia, você é o gerente? Sou Rafaela filha do deputado Miguel Alcântara.— fala sorrindo e toda manhosa para mim, achando que já me ganhou. Já a mulher de Costa para mim nem respira direito.

— Sou o novo dono dessa loja. — digo ainda sorrindo, e vejo os olhos da loira brilhar ainda mais.

 — Ótimo, quero fazer uma reclamação sobre essa, ah, não sei nem como chamar isso... — vai falando e eu já não escuto mais nada depois disso, reparo na mulher baixinha de curvas linda e cabelo curto e escuro, que tem um jeito simples e sensual até mesmo suja. Volto ao presente quando vejo que a loira parou de falar, respondo a ela no automático.

     — Desculpe o transtorno senhorita Rafaela, tomarei as providências para que isso não se repita, vou levá-la até o caixa. E você já para minha sala. — saio com a loira e deixo a morena parada como se fosse ir para o matadouro.

Chego ao caixa deixo a cesta que tinha pegado da morena e me viro para a loira que está ansiosa esperando uma investida de minha parte, e lhe digo.

— Obrigada pela preferência e volta sempre. — saio cumprimentando os clientes e praticamente corro até minha sala.

    Entro e ela fica reta na cadeira como se eu fosse decretar a sua morte, seguro o riso e me sento na cadeira e olho para ela, sinto uma conexão incrível e intensa quando seus olhos castanhos se encontram com o meu, meu Deus ela é mais que só sensual ela é linda, de uma beleza tão cativante que fico sem fala por um tempo só a admirando, desperto do seu encanto e falo.

     — Bom, senhorita...

     Dou a deixa para ela dizer seu nome, mas ainda está paralisada, me seguro para não rir, e a admiro um pouco mais e tento de novo só que dessa vez um pouco mais rude.

      — Ficou muda ou vai me responder?— ela acorda e me olha espantada, solto um risinho baixo para ela não ouvir, essa situação está divertida e excitante.

— Des... Desculpe, meu nome é Dhaedra.— respondeu gaguejando e com um rubor lindo na bochecha, vou ter de me aproximar dela, estou encantado demais.

— O que houve com sua roupa? E há quanto tempo trabalha aqui?— digo me fazendo desentendido, mantenho um tom um pouco firme para não rir.

— Um filho de uma cadela velha me jogou água com lama na rua, e trabalho aqui a 3 anos.— responde irritada, eu não aguento e sorrio da ofensa que me fez sem nem saber que sou eu o filho da tal cadela.

— Obrigada pelo elogio a minha mãe e desculpa por esse incidente, sobre o ocorrido com a mulher esqueça. Ah, vou precisar de você para passar para mim algumas coisas dessa loja, mais por enquanto volte ao trabalho. — se deixá-la nessa sala mais um segundo além de admirar também vou agarrar e trancar aqui comigo o dia todo, observo quando relaxa na cadeira com a notícia que não vai ser demitida mais do nada fica branca e vermelha e desanda a gritar.

— Tá de sacanagem que foi você quem me sujou toda? Filho de uma cadela é pouco seu cego, não me viu na calçada não? Está me devendo uma calça nova e quero das boas viu seu barbeiro. — ainda em choque pelo ataque fico olhando com um tesão infeliz, em seguida começo a rir muito e me levanto e saio andando até a porta, com medo ela estava linda, mas nervosa ela é maravilhosa, me deixou de pau duro. Preciso tirar ela daqui rápido.

— Acabou a seção de elogios? Já ouvi piores, agora vá trabalhar que também vou, anda. — ela se levanta e empina o nariz pequeno e arrebitado e sai batendo o pé e resmungando, ainda escuto quando fala.

— O que tem de bonito e gostoso tem de escroto, aff meu senhor. — não me seguro e começo a rir alto, e ainda rindo falo para ela.

     — Eu ouvi isso senhorita Dhaedra.— ela bufa e vai andando mais rápido. Volto para a sala e tento trabalhar, mas meus pensamentos estão só nessa linda mulher que me envolveu sem nem perceber.

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