Inicio / Romance / Senhorita - Mistério entre Detetives / Capítulo 3 – Vamos resolver o caso agora.
Capítulo 3 – Vamos resolver o caso agora.

“Você sabe que poderia me destruir

Juntar todas as peças e pegar meu coração”

Shivers - Ed Sheeran

19:21

Estou sentado em minha cadeira, com os pés sobre a mesa, quando ouço seus passos tilintando de maneira irritante pelo corredor.

Sorrio, satisfeito por ter atingido meu objetivo, e me preparo para vê-la atravessar a porta em desespero.

— O que aconteceu? — pergunta, com a voz engasgada. Os cabelos, perfeitamente alinhados no começo do dia, agora estão presos em um coque levemente desfeito. A pele bronzeada está avermelhada pela corrida, e o sobretudo parece ter sido vestido às pressas.

— Nada muito importante. — digo, descendo os pés da mesa. — Apenas chegou o laudo da autópsia que confirma que você estava certa, não foi um suicídio.

— Por que você me mandou uma mensagem dizendo que era uma emergência? — pergunta, a voz estrangulada. Pela expressão dela, percebo que é melhor parar de brincar antes que exploda. — E como você tem o meu número?

— Primeiro, pedi seu número ao Smith. Segundo... — Levanto-me e caminho em sua direção. — Vamos resolver o caso agora.

— Eu estou no meu dia de folga. — diz devagar.

— Quero saber do que você é capaz, então sente-se e vamos analisar o caso. — Aponto-lhe a cadeira à minha frente, a vejo revirar os olhos enquanto se senta e abre o laudo para analisar. — Outra informação importante. — acrescento, e seus olhos redondos me encaram, aparentemente a raiva está passando. — Ela estava grávida. Quatro a cinco semanas e encontraram o DNA de outra pessoa na arma do crime.

Isso faz com que Catherine respire fundo e se concentre nas folhas à sua frente.

Pedi o histórico dela depois que foi embora e descobri que, de fato, a julguei mal.

Catherine Bell, vinte e sete anos. Concluiu os estudos aos dezesseis, depois de adiantar uma série. Emancipada, entrou na faculdade de Direito no ano seguinte e se formou com honras.

Aos vinte e um, iniciou uma pós-graduação em psicologia forense e, nesse período, passou no processo para investigadora da polícia.

Desde então, atua na área. Há, porém, um vazio em seu histórico entre os vinte e três e os vinte e quatro anos. Afastamento? Algum caso interno?

Não consigo evitar a curiosidade.

21:03

— Eu preciso de um café. — digo, levantando-me e sentindo minhas costas estalarem.

— Também quero um, por favor. — pede, sem tirar os olhos dos papéis que nesse momento já estavam colocados no painel. — O que sabemos é que a faca encontrada no motel possui outro DNA, o que indica que a outra pessoa também se feriu. O problema é que pode demorar até descobrirmos de quem é. Os hematomas no corpo da vítima indicam luta corporal e sugerem alguém bem maior e mais forte do que ela, o que aumenta a possibilidade de ser um homem. Mas ainda há uma coisa que não fecha: não sabemos como o assassino entrou ou saiu. E os depoimentos dos funcionários e da família da vítima não ajudam em nada. — Dá voltas pela sala e o coque de mais cedo já se desmanchou. — Certeza de que deixamos algo passar e tudo seria mais fácil se tivesse a merda de uma câmera, íamos pelo menos saber quem frequenta esse lugar.

— Já solicitei as filmagens das câmeras da rodovia. Podemos pegar os registros com os nomes de quem entrou lá, talvez ele estivesse hospedado em outro quarto e os modelos de chaves eram parecidos. — digo, entregando-lhe o café e escorando na mesa ao seu lado.

— Isso pode funcionar. — Em uma mão segura o café e com a outra segura a bolsa e balança a chave do carro. — Vamos?

— No seu carro? — pergunto, seguindo-a pelos corredores e ela simplesmente dá de ombros bastante energética.

Entramos no carro e ela dá a partida, o silêncio só é quebrado pelo GPS que nos diz o caminho até o motel.

Com o passar dos minutos, o silêncio pesa dentro do carro, até que ela me lança um olhar curioso.

— O que quer perguntar, senhorita? Desembucha — digo. Ela volta a atenção para a estrada, embora ainda me observe de relance.

— Por que você quer resolver o caso hoje? — pergunta desviando os olhos em minha direção. — No começo, achei que era para implicar comigo ou até uma vingança pelo que aconteceu mais cedo, mas vejo que você está muito focado. — Ela espera. Depois de alguns segundos, decido responder de verdade.

— Eu tenho dois casos em aberto, o primeiro já tem um mês. — digo e solto um suspiro. — Desde que comecei nessa carreira, eu nunca deixei um caso em aberto por tanto tempo. Acho que preciso provar que não estou perdendo o jeito.

— Isso acontece. Na verdade, é normal. Nenhum caso é igual ao outro. — Ela tamborila tranquilamente os dedos no volante. — Mas agora estou aqui e, sem querer me gabar, sei que posso ajudar com isso. — Vira-se apenas para me dar um sorriso.

— Eu só não queria deixar para amanhã. É sexta-feira, e prometi comprar morangos para a minha filha antes de ir vê-la. Nunca se quebra uma promessa feita a Rosie. Ela pode ser bem brava quando quer. — digo, segurando o riso ao imaginar uma criança de quatro anos com as mãos na cintura, o pequeno pé batendo no chão e as bochechas infladas.

— Não sabia que você era casado. Não usa aliança. — diz, desviando os olhos para minhas mãos.

— Não sou. Tenho apenas minha filha e não queria desapontá-la — respondo, deixando de fora a parte da história que não pretendo contar.

— Por que não me disse antes? Vamos resolver isso hoje, ou talvez amanhã se já tiver passado da meia-noite. — diz, com um olhar divertido.

— Já que estamos falando de vida pessoal, pedi seu histórico hoje. — Vejo-a sorrir de lado e balançar a cabeça. — Percebi que as informações estão ocultadas entre seus 23 e 24 anos.

— Curioso? — pergunta, virando o carro para entrar no estacionamento.

— Gosto de saber com quem estou trabalhando — respondo, tentando soar indiferente.

— Quando virarmos parceiros, talvez eu conte. — Não há muita sinceridade na promessa. Antes que eu insista, ela estaciona e praticamente salta do carro.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP