“Você já tem uma pele incrível! Vamos só realçar mais ainda.”
“Quero algo que me faça brilhar.”
Ela começou a passar uma base leve no meu rosto, falando dos benefícios de cada produto. Enquanto trabalhava, eu me olhava no espelho vendo como cada camada de maquiagem criava uma versão nova de mim. Uma máscara perfeita pra esconder qualquer fraqueza.
“Vai te deixar no centro das atenções.”
“É exatamente o que eu quero”, respondi pegando o batom vermelho que ela recomendou.
Quando saí da loja, mãos cheias de sacolas, coração mais leve. Gastar dinheiro era como terapia, jeito de lembrar que, por mais complicada que minha vida fosse, eu ainda controlava alguma coisa.
Mas aí o sentimento voltou. Aquela inquietação. Desde que entrei no shopping parecia que algo não tava certo. Como se eu estivesse sendo vigiada, mas toda vez que olhava ao redor só via estranhos ocupados com a própria vida.
“Você tá paranóica, Amelie”, murmurei pra mim mesma indo pro estacionamento.
O sol já tava se pondo quan