414. Ele não me culpava
Gabrielle Goldman
Eu já havia visto tantas versões dele. Já o provoquei, já o pressionei, já o encurralei para arrancar reações, para fazê-lo revelar todas as suas faces. Mas nunca — jamais — sequer vislumbrei o que encontrei naquele momento. O que havia em seus olhos ia muito além do medo. Era terror. Um terror absoluto, paralisante. E eu não sabia dizer se ele tinha medo de mim ou por minha causa. De qualquer forma, eu era a origem daquele sofrimento, e isso não era algo que pudesse ser desfeito.
— Não faz isso comigo… eu te imploro — sussurrou, encostando a testa na minha, como se precisasse daquele contato para não desmoronar — não me afaste, meu amor, por favor.
Ele achava que eu estava o afastando. Acreditava, genuinamente, que eu não queria sua presença. A ideia seria cômica se não fosse tão trágica, tão dolorosamente equivocada. Como ele podia estar tão errado a meu respeito? Como não conseguia enxergar que era exatamente o oposto?
Era ele quem deveria me a