Luna Santiago percebeu que o silêncio de Elias naquela manhã era diferente.
Não era retraimento.
Era contenção.
O menino tomou café em silêncio, mexendo o copo de leite com atenção excessiva, como se cada movimento exigisse concentração.
— Você sonhou? — Luna perguntou, com cuidado.
Elias assentiu.
— Sonhei que a casa falava — respondeu. — Mas não gritava. Só mostrava.
Luna sentiu um aperto no peito.
— Mostrava o quê?
Elias pensou por alguns segundos.
— Portas que ninguém abria — disse. — Pessoas que fingiam não ver.
Antes que Luna pudesse perguntar mais, Adrian entrou na cozinha, o celular ainda na mão.
— Isabella acaba de cometer um erro — disse, sem rodeios.
Luna se virou para ele.
— Que tipo de erro?
— Falou demais — respondeu. — E rápido demais.
Ele colocou o celular sobre a mesa e abriu uma notícia.
Isabella Turner havia dado uma entrevista curta, cuidadosamente ensaiada. Falava sobre luto, sobre amizade, sobre como sempre protegera Elias após a morte da mãe.
Mas uma frase se de