A manhã seguinte chegou sem alarde, mas Luna Santiago percebeu que algo havia mudado antes mesmo de sair do quarto.
A mansão Valmont estava em silêncio demais.
Não o silêncio confortável das casas grandes, mas aquele que se instala quando decisões já foram tomadas — e ninguém ainda teve coragem de dizê-las em voz alta.
Ela encontrou Adrian no escritório, parado diante da janela, observando o jardim como se procurasse algo que não estava mais ali.
— Isabella não voltou a ligar — ele disse, sem se virar.
— Isso não significa que ela desistiu — Luna respondeu.
— Não — ele concordou. — Significa que está preparando outra coisa.
Luna apoiou-se no batente da porta.
— Ela falou com Elias ontem — disse. — Sozinha.
Adrian fechou os olhos por um instante.
— Eu imaginei.
— Ele não pareceu assustado — Luna continuou. — Mas isso não me tranquiliza.
Adrian virou-se finalmente.
— Ela ultrapassou um limite.
— Isabella sempre viveu ultrapassando limites — Luna respondeu. — Só nunca foi confrontada por