O telefone tocava, tocava, tocava — e cada segundo em que o delegado não atendia parecia comprimir o ar ao redor dos dois. Luna ficou de pé imediatamente, o corpo inteiro em alerta. Adrian observava o visor do celular como se pudesse obrigar o aparelho a acelerar o tempo.
Elias dormia no quarto do térreo, alheio ao risco que avançava pelo perímetro da casa.
Quando o delegado finalmente atendeu, Adrian falou rápido:
— Uma câmera foi desligada. Entrada de serviço. Venha imediatamente. Sem sirenes.
O delegado respondeu algo curto — provavelmente “não toquem em nada” — antes da ligação cair.
Luna cruzou os braços, tentando controlar o tremor.
— Ele está entrando agora?
— Tentando — Adrian corrigiu. — Mas se desligou a câmera, é porque sabe que estamos observando. Então vai procurar o próximo ponto cego.
— Quantos pontos cegos existem? — perguntou ela.
Adrian demorou mais do que deveria para responder.
— Mais do que eu gostaria.
Luna sentiu o ar gelar.
Ela se aproximou da janela, levantou