Edgar sentiu o rosto queimar. Não de raiva, de vergonha. Ela duvidava de si mesma. Ele tinha passado anos duvidando dela, alimentando ódio por ela.
Quando leu “ou talvez eu odeie mais a adolescente que fui ao teu lado”, o estômago revirou. Laura não o odiava apenas. Ela se culpava por ter amado.
Ele encostou as costas na cadeira, respirando fundo.
— Eu nunca quis subir na vida às suas custas… — sussurrou, como se ela pudesse ouvir.
Mas as palavras já estavam escritas. E doíam.
“Acabei de chegar do hotel. Transei com um carinha que conheci na balada. Ele quis dormir abraçado comigo, me vesti e logo fui embora. Só dormi com um embuste e foi o suficiente para arruinar minha vida. Nunca mais caio na lábia de um homem. O momento foi bom, mas meu corpo ainda procura os toques do Edgar. Isso é doentio, eu sei. Mas depois de tantos anos… ainda não consegui esquecê-lo.”
Edgar fechou o diário por um segundo. Passou a mão pelos cabelos, nervoso.
Reabriu. Leu tudo. Cada linha.
A tentativa dela d