No andar superior da mansão, longe do som da música e das conversas, Laura entrou no quarto e fechou a porta atrás de si com cuidado. Caminhou direto até o espelho da penteadeira, respirando fundo, os olhos marejados.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou, sem se virar, ao ouvir a porta se abrir novamente.
Victor entrou e encostou na porta.
— Eu te vi saindo de fininho da festa. — disse, aproximando-se. — Por que estava chorando, ruivinha?
Ela pegou um lenço sobre a penteadeira e limpou os olhos.
— Não estava chorando. — respondeu, seca.
Victor deu mais alguns passos, o sorriso travesso surgindo.
— Me dá dez minutos e eu te devolvo esse sorriso que você anda escondendo. — disse, piscando.
Laura ergueu o olhar pelo espelho.
— Sem chances, Victor. — disse, forçando um sorriso. — Já deixei claro que você não faz o meu tipo. — fez uma pausa breve, o olhar afiado pelo espelho. — E não me chame de ruivinha.
Victor parou atrás dela, encarando o reflexo dos dois.
— Não é esse o motivo.