A biblioteca parecia ainda mais silenciosa depois da pergunta de Olívia. Frederico permaneceu alguns segundos em silêncio, os dedos repousados sobre os joelhos, o olhar distante. Não nela, mas em algum ponto antigo da memória.
— Os pesadelos do Liam… — começou, enfim, com a voz baixa e firme — …não têm mistério algum, minha jovem. Eles vêm de um único lugar. Da infância. Da morte da mãe dele.
Olívia sentiu o peito apertar.
— Ele me disse que a mãe faleceu quando ele tinha seis anos… — respondeu com cuidado. — E que ela deixou o piano para ele. Foi a única coisa que contou. — respirou fundo. — Ele nunca falou sobre a causa da morte. Existe um limite muito claro até onde ele me deixa ir.
Frederico inclinou levemente a cabeça, como quem reconhece algo importante.
— Se ele falou do piano… da idade… e ainda a levou para morar na casa dela… — disse, com um meio sorriso triste — …acredite, Olívia, ele já fez mais do que você possa imaginar. — fez uma pausa curta. — O Liam não fala porque não