Laura quase já tinha colocado o pé dentro do carro do “boy” quando sentiu um puxão seco no braço. O corpo dela congelou — como se tivesse sido eletrificada de dentro pra fora. Sabia exatamente quem tinha tocado nela antes mesmo de virar.
Virou devagar.
Edgar estava ali. Parado diante dela. Ombros tensionados. Rosto fechado. O olhar sério demais. Intenso demais. Do tipo que atravessava a alma e arrancava feridas que ela fingia ter apagado.
— Você vem comigo. — disse ele, a voz grave, baixa, sem espaço para discussão.
Laura sentiu o coração bater forte demais. Mas levantou o queixo, orgulhosa.
— Eu não vou a lugar nenhum com você. — respondeu, firme, mesmo que as pernas tremessem por dentro. — Faz um favor? Finge que não me conhece.
Ele respirou fundo, como quem se segura por um fio.
— Laura… — disse, com a paciência de um homem prestes a explodir. — Não estou com humor. Então, por gentileza, me segue.
— Eu não vou. — repetiu, firme. — Você não manda mais em mim.
O rapaz desceu do carro