Rafael Ventura
O ronco áspero do motor da caminhonete morreu assim que girei a chave, dando lugar ao silêncio abafado do pátio da Fazenda Ventura.
Mas o silêncio do lado de fora não calava o barulho na minha mente. Continuei ali, estático, com as duas mãos presas ao volante, os nós dos dedos brancos pela força do aperto. O cinismo de Soares ainda queimava no meu peito. Aquele desgraçado sabia exatamente quais botões apertar para me tirar do sério, e o pior de tudo era admitir que ele tinha cons