HELOÍSA
O cheiro de laquê, maquiagem infantil e tecido novo se misturava no ar do camarim quando eu olhei o relógio pela milésima vez.
15h58.
— Calma, Heloísa, quem vai dançar é a Kitana, não você — murmurei pra mim mesma, rindo baixinho do meu próprio nervosismo.
Mas a verdade? Eu estava quase tão ansiosa quanto ela.
Kitana estava sentada na cadeirinha alta, os pezinhos balançando sem parar, a meia-calça branca já no lugar, a sainha de tule rosa armadinha ao redor dela como uma nuvem de algodã