HELOÍSA
O domingo amanheceu estranho.
Não era um domingo comum, daqueles preguiçosos em que o silêncio da casa abraça e acalma. Era um domingo inquieto, pesado, como se o ar estivesse mais denso, difícil de respirar. Eu acordei com o coração acelerado, como se tivesse corrido uma maratona durante a noite.
E eu sabia o motivo.
O beijo.
Fechei os olhos ainda deitada na cama, levando a mão aos lábios como se pudesse apagar a memória. Mas era inútil. Eu ainda sentia. A pressão da boca dele, o calor