Mundo ficciónIniciar sesión"O perfume da sedução"
Liara Ferraz — Nenhuma dúvida, Senhor Moretti. Obrigada pela oportunidade e pelas informações. Me surpreendo com a firmeza da minha voz ao dizer isso. Pois por fora, sou a imagem do profissionalismo, mas por dentro, estou uma confusão. Isso é inesperado e nem um pouco bem-vindo, eu não vim de outro país para me jogar nos braços do primeiro homem que vejo. Mal consegui me concentrar em tudo o que ele disse; a voz, junto com o perfume dele, estava nublando meus sentidos. Não sei como vou conseguir passar horas na presença dele e trabalhar nos projetos se, em minutos, minha pele está arrepiada, minha mente confusa e minhas pernas trêmulas, isso porque nem quero pensar em como estou molhada. Me levanto e tento andar o mais confiante possível em direção à porta. Não quero que ele veja o quanto me afetou. Eu nunca senti uma atração assim. Meu ex foi meu único homem, e eu jamais senti essa necessidade louca que estou sentindo de ter a boca dele na minha e descobrir se o beijo dele é tão gostoso quanto a boca é apetitosa. Enquanto ele falava, quase me perdi em pensamentos duas vezes, imaginando até onde vai a tatuagem que começa onde os dois primeiros botões da camisa dele estão abertos. Vou ficar o mais longe que eu conseguir do Senhor Moretti. Por mais atraída que eu esteja, não vou ceder aos meus desejos. Nossa relação será apenas profissional. Saio da sala dele e vou até Gabriela. Ela me leva para conhecer toda a equipe, passamos por todas as áreas de trabalho, a lanchonete e a área de descanso. Depois, ela me leva até minha sala e me apresenta a minha assistente, uma estagiária loira e simpática chamada Luna Castellini. Passo toda a manhã mergulhada nos rascunhos do Senhor Moretti. Estou completamente obcecada por esse projeto. O hotel é maravilhoso; ele consegue manter a arquitetura antiga, característica da Itália, e, ao mesmo tempo, ser moderno. Os desenhos do Senhor Moretti não merecem ser chamados de rascunho. Ele é realmente muito bom no que faz. O jardim, no qual irei trabalhar, contará com uma fonte no centro e também terá vários caramanchões que deverão parecer intimistas, ao ar livre, mas também privativos. Vou usar a vegetação e as plantas locais que irei incluir no projeto para parecer que estão isolados, trabalhando com uma iluminação discreta e romântica. Já me imagino sentada em um deles, olhando as estrelas em meio às noites de verão. Me assusto com o toque do telefone. É Luna, me avisando que está na hora de ir para a sala do Senhor Moretti com meu material. Eu nem vi o tempo passar. Era para eu almoçar antes de ir, mas agora não dá tempo. Passo rapidamente na cafeteria, pego um cappuccino duplo e sigo direto para a sala dele. Passo pela sala de Gabriela, e ela não se encontra. Aguardo um pouco, mas, como ela não aparece, decido bater na porta para não me atrasar demais. Ouço a autorização para entrar e abro a porta. Hesito por segundos antes de fechar. Ele está concentrado, com óculos de leitura, sem o terno. A camisa, que antes tinha apenas dois botões abertos, agora possui três e está dobrada nas mangas até os cotovelos. Ele está impossivelmente ainda mais sexy. Caminho lentamente até a mesa com o corpo todo esquentando. Me sinto como se estivesse entrando na jaula de um leão; meu instinto me diz para correr para longe dele. — Senhor Moretti, vim como combinado para trabalharmos juntos. Só espero que eu consiga resistir ao impulso de me jogar nos braços dele.






