Capítulo 36
Ambrose Miller
O quarto ainda estava lembrava tudo que tínhamos feito na noite anterior. As cordas soltas no chão, a marca do corpo dela nos lençóis, meu peito subindo e descendo numa respiração que tentava se acalmar. Mas não era o ato em si que me deixava inquieto. Era o depois. Sempre foi o depois.
Elisa estava ali, deitada de lado, os cabelos bagunçados, a pele corada. A expressão dela era de calma, estava satisfeita, como se não existisse mundo fora daquele quarto. Já eu, cada segundo me parecia um campo minado prestes a explodir, enquanto observava cada detalhe dela antes dessa explosão iminente.
— Você está quieto demais — ela disse, o tom leve, mas ela sabia exatamente onde isso ia nos levar.
Virei o rosto para ela, sem conseguir esconder o peso.
— Só… pensando.
— Pensando em quê? — Ela apoiou o queixo na mão, o olhar preso em mim. — Não me diga que está arrependido.
Soltei um riso amargo.
— Arrependido? Não. Isso nunca. Mas talvez… talvez esse seja o limite do que