Capítulo 5
Os quatro homens ainda examinavam Nanda, tensos, para verificar se ela tinha feridas. Havia apenas uma pequena área avermelhada em seu braço, causada pela queimadura.

— Nanda! Você está bem?

— Me deixe ver!

— Está só um pouco vermelho, tragam logo o remédio!

No fim, foi um tripulante que passava por ali quem a viu. Horrorizado, ele correu até ela e apagou rapidamente as chamas em seu corpo com um extintor de incêndio.

— Senhorita! Senhorita, aguente firme! — Gritou o tripulante, em pânico.

Larissa viu, com a visão turva, os quatro homens carregando Nanda às pressas em direção à cabine, sem sequer lhe lançar um olhar.

Quando foi levada de volta ao quarto, a dor já era tão intensa que ela não conseguia mais falar.

Grandes áreas de sua pele haviam sofrido queimaduras e, ao menor movimento, um líquido misturado com sangue escorria pelas feridas. O tripulante saiu às pressas para procurar um médico, e ela ficou sozinha no quarto.

De repente, o celular começou a vibrar.

— Srta. Larissa, ainda é necessário enviar alguns documentos complementares referentes à ilha que a senhora comprou.

— Vou enviá-los agora mesmo. — Larissa suportou a dor excruciante, e sua voz saiu rouca. — Por favor, providencie tudo o mais rápido possível. Eu preciso ir para a ilha com urgência.

Mal havia terminado de falar quando a voz fria de Marcelo surgiu de repente atrás dela:

— Com quem você está falando ao telefone?

— Com ninguém. — Larissa encerrou a ligação e escondeu o celular debaixo do cobertor.

Marcelo permaneceu à porta. Percebeu que havia algo estranho, e suas sobrancelhas se franziram levemente. Parecia prestes a continuar perguntando, mas seu olhar de repente caiu sobre aquelas queimaduras chocantes em seu corpo.

— Como você se queimou desse jeito? — Ele se aproximou rapidamente, e havia em sua voz um raro sinal de descontrole. — Por que você não me chamou?

Larissa baixou os olhos, e um sorriso amargo surgiu no canto de seus lábios.

"Chamar ele? Há pouco, no convés, eu estava rolando no chão de dor e gritando, as chamas já tinham queimado meus cabelos, e ele sequer virou a cabeça uma única vez. Chamá-lo, que sentido isso teria?"

— Não foi nada. — Ela disse em voz baixa. — O médico já está chegando. Vá ficar com Nanda, ela precisa mais de você.

Mas Marcelo, para sua surpresa, se sentou ao lado da cama:

— Há pessoas cuidando dela. Eu vou esperar até que o seu ferimento seja tratado.

Ele se sentou à beira da cama, e seus dedos longos afastaram de leve os cabelos sobre a testa dela. O gesto era tão gentil quanto no passado, mas Larissa apenas o olhou com calma, em seus olhos já não existia mais a alegria nem o sobressalto de antes.

Ele já havia se casado no civil com outra pessoa. Já era o marido de outra mulher.

Ninguém se apaixonaria por um homem casado.

No instante em que ele registrou o casamento com Nanda às escondidas dela, qualquer possibilidade entre os dois chegou ao fim.

— Está doendo? — Ele perguntou em voz baixa, com as sobrancelhas levemente franzidas.

Larissa balançou a cabeça de leve, sem dizer nada.

"Doendo? Claro que estava doendo, mas, comparada à dor no coração, o que significava aquele sofrimento da carne?"

O médico chegou logo depois e tratou com extremo cuidado das queimaduras em seu corpo. Cada toque fazia o suor frio brotar em sua pele, mas ela apenas mordeu os lábios com força, sem soltar um som.

— Marcelo! — A voz doce e melosa de Nanda veio do lado de fora da porta. — Venha depressa ver os golfinhos! Eles são tão lindos!

Marcelo hesitou por um instante, mas, no fim, ajudou Larissa a se levantar:

— Venha ver também.

No convés, o pôr do sol tingia o mar de dourado, e um grupo de golfinhos saltava para fora da água, traçando arcos graciosos no ar.

— Façam um pedido, depressa! Dizem que, se você fizer um pedido para os golfinhos, ele certamente vai se realizar! — Nanda juntou as mãos, fechou os olhos e fez seu pedido.

Marcelo acomodou Larissa em uma espreguiçadeira. Observando aquela cena absurda diante de si, ela viu que os quatro homens, que nunca haviam acreditado nessas coisas, naquele momento também fecharam os olhos. Havia em seus rostos uma indulgência carinhosa e um mimo sem limites, e sua devoção parecia a de fiéis em oração dentro de uma igreja.

Ela sabia que os pedidos deles certamente estavam relacionados a Nanda.

Então ela também fechou os olhos devagar.

— Larissa, que pedido você fez? — Nanda se aproximou de repente, perguntando com curiosidade.

Os quatro homens também voltaram os olhos para ela.

Larissa encarou aquelas pessoas diante de si e disse, lentamente:

— Eu desejo que, daqui em diante, Marcelo, Sandro, Emerson, Douglas, Nanda e eu nunca mais nos encontremos nesta vida.
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