Os primeiros dias na Valecliff Enterprises foram uma mistura de nervosismo e empolgação.
Aprendi rápido — ou pelo menos tentei. O sistema de arquivos, as ligações, os protocolos. Tudo era novo, mas as pessoas eram gentis. Pacientes comigo.
E então havia Kai.
Kai, que trabalhava três portas abaixo da minha estação. Kai, que aparecia na minha mesa com desculpas esfarrapadas sobre documentos que precisavam ser revisados. Kai, que trazia café para mim todas as manhãs sem que eu pedisse.
— Você sabe que tem uma máquina de café ali, né? — brinquei na terceira manhã, aceitando a xícara que ele me estendia.
— Sei. — Ele encostou na minha mesa, os braços cruzados, aquele sorrisinho no canto da boca. — Mas você sempre esquece de fazer uma pausa.
— Estou tentando impressionar o chefe.
— O chefe não liga pra isso.
— Como você sabe?
Kai se inclinou levemente, os olhos escuros brilhando com diversão.
— Porque eu sou o braço direito dele. E ele me disse pra garantir que você não se mate de trabalhar