Mundo de ficçãoIniciar sessãoIsabella passou a vida sonhando com um amor verdadeiro, algo que acontecesse sem forçar nada como nos filmes. Nascida em uma família com ligação com a máfia italiana ela sempre se viu presa nas expectativas do seu pai e de sua irmã, colocando em cheque todos os seus planos e sonhos. Porém, em um golpe do destino ela se vê obrigada a trair tudo o que acredita para se casar com um homem que ela odeia desde a sua infância. "O sentimento mais perto do ódio é sem dúvidas o amor"
Ler maisNascida e criada em um meio não tão bom, sofrendo pelos mesmos motivos que todas as pessoas normais sofrem, mas em um ambiente onde nenhuma pessoa normal deveria viver... assim eu fui criada, assim eu vivi, assim eu cresci e provavelmente assim será a minha morte.
Quando o meu coração que é feito de mim, decidir parar o corpo que também é feito de mim.
- Eu já disse Beatrice não tenho nenhum interesse se quer nos planos do nosso pai, eu não sou como você... - eu disse enquanto minha irmã mais velha afofava o meu vestido de baile, ela fazia a função de mim mãe desde que ela meteu uma bala na cabeça no meu aniversário de cinco anos de idade, trágico, mas eu evitava pensar muito nisso para não acabar enlouquecendo mais do que já era de praxe - eu agradeço que esse baile seja para te apresentar um marido, por que assim eu posso ficar um pouco mais livre. Até parece que estamos no ano de mil e quinhentos onde uma mulher não tem chance de se apaixonar de verdade. Não sei como você não se incomoda com isso!
- Eu não me incomodo com isso porque eu sigo ordens Bella, você deveria seguir também! Porque eu estou cansada de sempre salvar você da fúria de nosso pai. Você sabe como tem sido difícil ultimamente - com ultimamente ela está querendo dizer desde que a minha mãe se foi por escolha própria, desde que ela resolveu deixar esse mundo e as duas filhas à mercê de um homem doce, mas megalomaníaco que colocava a famiglia da máfia acima da famiglia de sangue - Então você não ajuda em nada reclamando...
- Quem vem para o baile hoje? - eu perguntei evitando brigar com ela, Beatrice era de um tipo atlético, exibia por todos os lados o seu nariz delicado e os seus olhos azuis emoldurados por seus cabelos loiros e extremamente lisos, além de ter um coração enorme e aceitar tudo o que o meu pai Arturo colocava como regra, por mais absurda que a regra poderia parecer a olhos humanos.
- Você sabe Bella, o de sempre, as famílias... - ela sempre era tão evasiva, me irritava a falta de vontade até de responder coisas simples, parecia sempre estar escondida. A verdade é que eu comecei a achar que ela, no fundo, ou não tão lá no fundo, adorava os planos que o meu pai tinha para ela.
Casamento com um homem rico e influente parte integrante da Famiglia, verões na Toscana sob o sol intenso com um drink para bancar a esposa bronzeada e troféu, uns três ou quatro filhos para que ela cumprisse à risca a função da mulher...
Bom, parecia ficar feliz ao saber que esse era o seu destino, embora dissesse que não ligaria de ficar em casa aquele ano, sem casamento, sem verões radiantes e sob a supervisão constante de nosso pai.
- E ele já te prometeu a alguma família especificamente? - eu continuei perguntando por que além de uma chata palestrinha eu também era extremamente curiosa com tudo.
- Me prometeu para a família Salvatore... - ela disse já saindo de perto de mim, por que sabia que iria escutar as maiores baixarias
- E você está achando normal ser prometida para alguém daquela família? você ficou maluca?
- Supera isso Isabella, aconteceu a mais de dez anos, não somos mais as crianças do parquinho, somos adultos com intenções de casamento! - disse ela indo até a gaveta de joias da minha mãe, era tudo o que eu não queria usar, mas era a única exigência do meu pai. Acho que era assim que ele fingia manter a memória dela viva enquanto transava em todos os cômodos com uma menina com a mesma idade da minha irmã.
- Eles têm fama ruim Beatrice, e você sabe muito bem disso! A família inteira é extremamente mau educada, falam alto demais, comem com a boca aberta... você já deu uma boa olhada na Donatella? a irmã?
- Não importa Isabella, qual é a sua? por que está tentando me desanimar? chega desse assunto, eu já cuidei demais de você... agora se vira, eu também preciso ir me arrumar. Peça ajuda a algum empregado.
Sim, ela ficou realmente ofendida com as minhas colocações infames.
Mas entenda, não me levem a mal, eu não estou querendo detonar a minha irmã, eu não sou contra o casamento e muito menos contra viver um grande amor.
Mas tudo tem que ser feito desse jeito tão triste e comercial?
Um casamento arranjado em pleno 2022 como se fossemos extremistas religiosos... eu não posso dar conta disso. Ela não parecia feliz, não chegou com borboletas no estômago após um encontro dizendo que estava profundamente apaixonada, ao ponto de não conseguir fazer outra coisa a não ser pensar naquele homem. Eu não a vi chorar ao assistir um pôr do sol com o seu amado, e muito menos ficar ansiosa por sua próxima visita.
Tudo era tão frio, tão montado... que dava medo.
Eu queria me apaixonar, isso está na minha lista de objetivos... me apaixonar de uma forma tão doida e gigante que eu não consiga ficar um segundo longe da pessoa amada... porque depois que eu descobri a sua existência era impossível que eu conseguisse viver sem ela.
Eu queria a emoção dos filmes, a emoção do cortejo... a emoção de um beijo molhado no meio da chuva.
Parece ser uma coisa que não pode acontecer? estou exigindo demais ao dizer que quero me casar por amor?
- Senhorita Isabella... sua irmã me mandou aqui para te ajudar... - disse uma das empregadas
- Não se preocupe com isso, acho que dou conta de fechar a minha sandália... não acredito que ela foi te perturbar com uma coisa tão trivial!
- Ah, não tem problema. Estamos aqui para isso... - disse ela sorrindo.
- Lá embaixo, está muito cheio? o meu pai já desceu?
- Sim, ele já está lá embaixo... algumas famílias chegaram também..., mas eu não diria que está muito cheio, só o normal.
- Então está CHEIO! - Eu disse olhando para ela e caindo em um riso farto, mas melancólico, não sei por que eu tinha essa sensação de que estava indo para um matadouro e depois que eu descesse aquelas escadas alguma coisa realmente mudaria para sempre.
Eu ia sentir falta de Beatrice, ia sentir falta de poder ir até o quarto dela a noite mesmo sendo uma cavalona de dezoito anos, ia sentir falta da sua fala doce sempre que eu me magoava com algo que o meu pai aprontou. Vou sentir falta de ter a mão sempre a sua paciência de um buda e conselhos práticos sobre a vida e sobre como resolver conflitos. Talvez seja por isso que ela quer tanto se afastar para viver a própria vida.
Eu terminei de me arrumar e esperei que Beatrice aparecesse no meu quarto para o nosso ritual de bailes.
Passou vinte minutos e lá estava ela dentro do quarto com o seu sorriso farto.
- Vamos querida? - disse ela da mesma forma que a minha mãe falava
- Vamos minha irmã... - eu respondi como sempre, mas naquela noite eu senti necessidade de dizer algo a mais - Bea... desculpa ser esse fardo para você! eu desejo muita felicidade nessa sua nova etapa, e que o seu futuro marido se encante por você hoje!
- Obrigada Bella... eu estava tão preocupada... em... deixar você aqui... e isso que você disse... obrigada minha irmã! - ela me abraçou muito forte - eu estou com medo... - ela confidenciou
- Por quê?
- Tenho medo de que ele não goste de mim...
- Isso é impossível Beatrice, você é um encanto... doce, linda, inteligente... ele tem é sorte que o seu pai é louco e está arranjando esse casamento! Vamos descer?
Ela segurou a minha mão e partimos para o corredor antes da escada, ela estava mesmo muito nervosa, eu estava percebendo pelo jeito como a voz dela estava ecoando no corredor vazio.
- Se acalma Beatrice!
- Eu estou calma, eu estou respirando fundo...
- Pense bem, temos sempre a vantagem de ser um casamento arranjado... então ele pode até te odiar, mas ainda assim vai ser obrigado a casar com você.
Nossa, eu mandei muito mal nessa.
- Você não está ajudando Isabella Lion... porra! - eu nunca a ouvia falando palavrão, a coisa estava crítica.
E assim como quem não quer nada ela deu mais uma respirada profunda, se recuperou totalmente do próprio surto e desceu as escadas enquanto todos olhavam para ela, era o efeito Beatrice pelo salão... todos ficavam admirados com sua graça e beleza, com sua forma de ser sempre doce e ter sempre um sorriso leve estampado no rosto.
E a mulher surtada de alguns minutos atrás já não existia mais na realidade, agora ela era novamente Beatrice Lion.
Eu, a ovelha negra da família desci logo atrás, eu não era dada a essas convenções por isso eu não sorri, não acenei e muito menos desci as escadas de um jeito chamativo e pomposo, eu só desci mesmo o mais rápido que consegui para me misturar em meio aquele povo todo, se eu tivesse sorte ninguém notaria a minha presença durante toda a noite e eu poderia vez ou outra dar uma respirada longa no jardim.
- Ah... minhas meninas... como estão lindas! - disse o meu pai se aproximando para nos abraçar
- Você está falando de mim e da Beatrice ou está incluindo sua amante quase menor de idade? - eu disse sendo sarcástica.
- Pega leve Bella... - disse Beatrice me repreendendo.
- Hoje não é dia para brigas minha filha, hoje é dia de celebração, é um dia importante para a sua irmã e eu espero que você não estrague tudo! - o recado foi claro, eu deveria me afastar.
E eu o fiz, porque eu não me importava com a festa, eu não estava nem aí para ser vista por todos, eu não ligava se a música era boa ou ruim, eu só queria que Beatrice tivesse alguma mostra do que é uma experiência normal de relacionamento, que não seja com toda essa pressão da idade média.
- Eles chegaram? - ela disse ansiosa
- Sim, olha ali... estão vindo em nossa direção...
Eu procurei todas as formas de fugir e consegui, graças a Deus.
Eu não tive que presenciar aquele momento horrível e constrangedor e antes que a pomposa família chegasse perto eu sumi pela porta principal e fui até o primeiro arbusto que eu achei.
- Alguém veio se esconder também... - disse um homem alto, eu não vou mentir, era lindo de você não conseguir parar de olhar para ele. Os cabelos castanhos estavam desalinhados e os olhos verdes marcavam a sua beleza. Os lábios carnudos emolduravam o sorriso branco e alinhado, estava fumando um cigarro despreocupado... o que não tinha na nada a ver com o smoking que ele estava usando.
Eu fiquei sem palavras sem rumo... sem saber se corria ou se eu ficava.
Eu não sei quanto tempo passou.Algo me despertou, talvez o silêncio ou a ausência de Matteo no sofá.Acordei com uma pequena manta sob o meu corpo ainda nu, mas a manta não era suficiente, nada seria depois de ter estado ao lado dele.Eu abri os olhos devagar. A sala estava mergulhada em uma penumbra azulada; a luz do amanhecer atravessava parcialmente as cortinas.“Ainda bem” – Eu pensei – “Assim eu não fico vendo o que não existe”Eu me senti no sofá ainda tentando despertar.- Matteo? – Chamei em voz baixaNão houve resposta.Eu me levantei devagar, pegando a camisa dele que estava jogada no chão. Eu vesti depois de sentir o cheiro dele no tecido.O corredor estava silencioso, eu não conhecia aquela casa, então me esforcei para não me perder. Eu continuei caminhando pelos corredores que estavam silenciosos. Eu tentei seguir a voz baixa que ouvi no corredor, Matteo devia estar por perto, eu pensei.A voz estava tensa, vinha da pequena saleta do outro lado da casa.Eu me aproximei c
o capítulo novo para análiseEle estava dentro de mim, devagar, me torturando.Cada centímetro era uma conquista, uma afirmação. Meu corpo se ajustou a ele, esticando, queimando, aceitando-o como se estivesse moldando o meu corpo para ele.- Você é perfeita! – ele estava lutando para manter o controle enquanto eu já havia entregado tudo para ele, não podia mais performar, era desejo e amor, puro e simples.Eu o sentia dentro de mim, encharcado do meu desejo, nós dois estávamos gemendo em uníssono. A sensação era intensa demais, como ser preenchida e esvaziada ao mesmo tempo. Ele estava em mim, estava em todo o lugar, no meu corpo, na minha mente e na minha alma.Ele me virou de lado e se colocou atrás de mim, quando me penetrou novamente, eu senti o meu corpo flutuar.- É assim que eu quero você – ele sussurrou contra o meu pescoço com os dentes raspando pela minha pele – Toda aberta, toda minha.O ritmo aumentou, selvagem e descontrolado. Eu estava perdendo a noção de onde ele termi
- Eu quero você, eu preciso ter você Isabella – Disse ele baixo em meu ouvido, me colocando em sua prateleira de troféus que eu relutei para estar. Eu não conseguia evitar, era delicioso pertencer a ele daquela forma. Era delicioso ser marcada por suas mãos e por sua língua macia percorrendo os meus seios com tanta destreza.O meu corpo se arrepiava inteiro só pela forma como ele me olhava, como se eu fosse um banquete – e ele estava faminto.Ele estava de joelhos entre as minhas pernas, os olhos dele estavam fixos em mim, brilhando com uma mistura de desejo e sem dúvidas devoção.- Você está linda assim – Sussurrou com a voz rouca, carregada Ele estava de joelhos entre minhas pernas, seus olhos escuros fixos em mim, brilhando com uma mistura de desejo e devoção. Eu não consegui responder, antes que eu abrisse a boca para fazer alguma menção a fala ele se inclinou, seus lábios encontraram a minha pele com um beijo suave e reverente. Cada beijo que ele dava ia chegando mais e mais pe
- Matteo...Ele respirou fundo, como se tivesse finalmente percebido que tinha falado mais do que deveria. Então passou a mão pelo rosto, parecia irritado consigo mesmo.- Eu não deveria ter dito isso. Foi um erro.- Você não deveria mesmo... – Minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria.Ele olhou dentro dos meus olhos, como se finalmente soubesse como sugar a minha alma.- Isabella... Eu já disse para você o que podemos ter um com o outro. Você não faz ideia do que significa para mim.Eu ia perguntar o que ele queria dizer com aquilo quando um movimento do lado de fora da janela chamou a minha atenção.Algo branco, rápido demais.Meu corpo inteiro congelou naquele mesmo instante.- Matteo... – eu disse parecendo desesperada- O que foi Isabella?E então eu a vi. Uma mulher parada do lado de fora, imóvel. Estava perto dos arbustos como uma assombração. Eu conhecia aquele rosto.A mesma mulher que estava lá no dia do meu casamento, tentando se esconder no meio daquela multidão.Minha
Matteo estava impassível, não parecia titubear nem por um segundo. O corpo no chão não parecia lhe causar nada mais do que um pequeno constrangimento, talvez causado por eu estar no quarto. Os miolos espalhados pelo chão pouco lhe importavam, ele estava acostumado com a tensão que o trabalho dele exigia. Não ligava nem um pouco para o tapete ou para o sangue que escorria das paredes.- Isabella, nós temos que ir, imediatamente! – Disse ele com os olhos flamejando em minha direção.Eu não ousei dizer nada para ele, meu estômago revirou e o cheiro metálico do sangue deixava tudo pior.Ele deu um suspiro longo do outro lado do quarto, limpou a arma na manga de seu paletó com uma calma que me arrepiava. Olhou para mim e disse:- Está tudo bem? Você parece... chocada... – Eu nem consegui responder com a minha habilidade habitual de ser extremamente sarcástica. Eu apenas assenti com a cabeça com os olhos arregalados em direção a ele, tentando não encarar o morto.Matteo se aproximou de mim
A escuridão era espessa e bem acolhedora, eu acabei caindo no sono, entrelaçada ao colchão confortável e os lençóis de seda. Meu corpo estava afundado, cada músculo finalmente descontraído após aquele dia interminável. A minha mente, apesar de tudo, ainda permanecia pensando em Matteo.A minha respiração estava em um rimo suave, um barco balançando em um mar calmo. Até que algo – um instinto ancestral, um estalo no carpete, o ínfimo rangido de um peso se transferindo, me puxou para a superfície do sono.As minhas pálpebras se abriram ainda pesadas, grudadas pelo cansaço. A penumbra do quarto invadia agressivamente os meus olhos, dançava diante de mim em formas indistintas se confundindo com a sombra dos móveis. Eu afastei dos meus olhos a névoa e então o meu coração parou.A silhueta, alta, larga de ombros, não era um móvel. Era escura, como se dentro do quarto estivesse o próprio diabo em pessoa. Era uma estátua vingativa de mal presságio. O ar saiu dos meus pulmões. Um bloqueio de g










Último capítulo