FUGA NA SOMBRA
RAMON
A noite carregava aquele silêncio traiçoeiro de quem acredita, ingenuamente, que detém o controle. Pelas telas das câmeras, tudo era uma coreografia de rotina: turnos trocados com precisão militar, passos ecoando pelo concreto, vigilância absoluta. Mas eu conhecia a anatomia de qualquer sistema, e sabia que o tendão de Aquiles é sempre o mesmo: o homem por trás dele. Bastava uma brecha, um segundo de distração, uma mão firme agindo na hora certa.
E a brecha se abriu.