Mundo ficciónIniciar sesiónEntrei em seu quarto, pela primeira vez. Estava bêbada. Me sentei em sua cama e olhei ao redor. O quarto era bonito e menos “feminino” do que pensei que seria, mas, quando digo isso, é por uma ideia de facilitar a compreensão e nada mais. Ou seja, ambiente era bem neutro, com alguns poucos detalhes mais delicados e etc.
– Quer tomar um banho? – Me perguntou Bruna parada junto ao seu armário. Eu a olhei, pois estava distraída com o ambiente, e disse: – Seria uma boa, sim. Você me arruma alguma roupa? Foi tudo tão do nada que não tenho com o que dormir. – Lógico, já tinha pensado nisso, inclusive. – Me respondeu enquanto abria as portas de seu armário. – Eu tenho um banheiro aqui dentro do quarto, você pode usá-lo, se quiser, enquanto as meninas usam o do corredor. – Pode ser, se for de boa pra você. – É sim. Ela me entregou um short, uma blusa e uma toalha. Agradeci e, meio zonza, fui pro banheiro. Liguei o chuveiro e deixei a água escorrer por meu rosto e corpo, evitando molhar meus cabelos, obviamente por causa do horário. A água escorria como se lavasse minha alma, mas não evitava o turbilhão de pensamentos que preenchiam minha mente. Saí do banho menos embriagada do que estava antes. Me olhei no espelho por alguns segundos enquanto me perguntava “o que eu to fazendo aqui?”. Respirei fundo, juntei minhas coisas, e saí do banheiro. Bruna estava sentada na cama, encostada na cabeceira, enquanto mexia em seu celular. Nos olhamos por um segundo em silêncio. – Vai tomar banho também? – Perguntei. – Vou, por mais que tenha tomado antes de ir pra faculdade, sei lá, gosto da sensação de deitar de banho tomado. – Sei como é. – Sorri, enquanto começava a me movimentar para guardar minhas coisas. Bruna se levantou, passou por mim e entrou no banheiro. O cheiro de seu perfume ainda ficou no ar por alguns instantes enquanto eu ouvia o chuveiro ser ligado. Não sabia o que fazer, até porque percebi que a porta estava fechada e o ar condicionado estava ligado, então não podia nem dizer que fechou por minha causa... podia? Deixei minhas coisas na cadeira que ficava junto a sua mesa de estudos e me sentei na casa, da mesma forma que ela estava antes. Me encostei na cabeceira e fiquei mexendo em meu celular. Julia estava enlouquecida querendo saber o que estava acontecendo, mas não tinha como ficar respondendo e foi isso que lhe enviei. Coloquei meu celular de lado e esfreguei minhas mãos em meu rosto. Eu estava com sono, mas minha curiosidade era maior. Será que aconteceria algo entre nós? Eu gostaria que acontecesse? Caso sim, será que as outras meninas estão sabendo de alguma coisa que eu não sei? A porta se abriu e Bruna surgiu enrolada na toalha, o que fez com que todo o meu corpo se arrepiasse. Eu me sentia testada, porque tudo aquilo parecia “prova pra cardíaco”. Não era possível... aquilo não podia estar acontecendo, principalmente comigo, e eu ainda nem sabia o que viria depois. – Esqueci de levar minha roupa pro banheiro. – Disse ela enquanto retirava sua toalha e ficava apenas de calcinha. Vamos raciocinar a ideia... ela ficou APENAS de calcinha, bem na minha frente, enquanto se comportava como se nada estivesse acontecendo. Será que era a bebedeira? Será que por ser hétero, pra ela não tem problema por eu ser mulher? Será que ela estava me provocando de alguma forma? O que será que estava realmente se passando na cabeça daquela garota? Me enfiei debaixo da coberta e me deitei, pois não achei de bom tom ficar olhando, ainda mais porque em momento nenhum falamos sobre sexualidades e não sabia se a minha era tão nítida quanto gostaria que fosse, mas, devo confessar que, pelo pouco que vi, seu corpo era simplesmente lindo... e eu estava passando mal. – Você ta bem? – Me perguntou ela. Tirei meus braços de sobre meu rosto e a olhei, parada diante do pé da cama, vestindo uma camisola, preta, de renda. Fazia total sentido ela estar me perguntando aquilo, devido a forma em que me encontrava, então tentei sorrir, pra disfarçar, me espreguicei, e disse: – To sim, acho que é o álcool. Ela sorriu e veio engatinhando pelo colchão para se deitar ao meu lado. Apagamos a luz e ficamos em silêncio. Mas como eu conseguiria dormir depois do que havia acabado de acontecer? Meu corpo parecia pegar fogo e era involuntário, tanto é que fiquei com receio dela perceber e me perguntar se eu estaria com febre. – Você deve ta achando estranho esse meu comportamento contigo, – Começou falando em meio ao breu do quarto. – mas é que senti uma coisa tão boa quando nos olhando na outra aula que, sei lá, eu quis te conhecer melhor. “Coisa boa”? Que raio de “coisa boa” foi essa que ela sentiu? Até porque o que eu senti foi uma coisa boa também, só que me dava cócegas em lugares bem íntimos do meu corpo... será que essa descrição soa familiar? – Eu to um pouco surpresa mesmo, mas tudo bem, também senti uma coisa boa quando te olhei na outra aula. – Vulgo “tesão”, eu acho, no meu caso. – Foi bem estranho, não foi? – Foi sim... me senti estranha. – Sorri. – Eu também. Será que é uma ligação de outra vida? – Brincou, virando o rosto pra tentar me olhar. – Não sei se acredito, mas acho que explicaria muita coisa. – Virei meu rosto para tentar olhá-la também. Agora que meus olhos já havia se acostumado com a escuridão, eu já conseguia enxergar, mesmo que em muito baixa nitidez, o seu rosto, e via que Bruna estava sorrindo pra mim, com um olhar sonolento de quem está prestes a perder a consciência... me senti mal... me senti viajando na “fanfic” de que havia alguma coisa além de amizade rolando ali. – Independente do que seja, nós vamos descobrir de onde vem nossa conexão. – Me disse ela quase dormindo. – Vamos sim. – Respondi, me sentindo vencida e uma completa idiota. – Boa noite. Bruna se aproximou, me abraçou, se aconchegou junto a mim, me desejou boa noite e, inevitavelmente, dormiu... e eu? Bem... eu ainda tinha alguns bons minutos pra me recompor e remoer tudo, enquanto sentia seu corpo junto ao meu, pele na pele, por causa da camisola que subia por debaixo da coberta. Será que era mesmo tudo coisa da minha cabeça? Será que pra ela era apenas amizade, mesmo que sua forma de me olhar me sugerisse outra coisa? Será que tudo não passava de uma grande viagem da minha cabeça? Será?






