Mundo de ficçãoIniciar sessãoAna Clara é uma estudante de faculdade muito comprometida, mas que é surpreendida por um sentimento nunca antes experimentado. Ela conhece Bruna e não consegue tirá-la da cabeça desde o primeiro olhar, sem saber se a mesma corresponde ou não a seus sentimentos. Mas, afinal, que sentimentos são esses? Amor? Paixão? O quê? * Criação de Capa: Kaike Nunes (Eu) * Qualquer plágio estará sujeito a processo judicial. Meu segundo livro LGBT
Ler maisSempre escutei que faculdade não era algo fácil de se fazer, mas nunca imaginei que seria pior do que tudo o que já havia pensado a respeito. Falando assim parece que meu objetivo vai ser falar sobre as dificuldades de uma vida estudantil, mas não, porque na verdade o meu problema era outro e tinha nome... Bruna.
Mas antes de começar a falar a respeito, acredito que o mais educado seja me apresentar, certo? Enfim, me chamo Ana Clara, mas sou mais conhecida apenas por Ana e eu até prefiro assim, porque pra mim esse negócio de nome composto deixa o seu nome muito grande, então quando me chamam por ele inteiro parece que estão brigando comigo... não gosto, não. Dito isso, creio que podemos começar com o dia em que a vi pela primeira vez. Seria amor a primeira vista? Talvez seja mais a ideia de uma paixão a primeira vista, ou tesão a primeira vista... vai saber, né. Nós não fazíamos a mesma graduação, mas calhou de termos uma matéria em comum e foi assim que começou esse clichê doido na minha vida. Entrei na sala de aula, preenchida majoritariamente pela outra turma, e me sentei, nem tão na frente e nem tão no fundo, do jeito que gosto de ficar normalmente. Estava me preparando pro início da aula quando Bruna entrou radiante pela porta. Ela era a mulher mais linda que já havia visto na minha vida... ao menos na minha opinião... e na opinião de vários rapazes também. Ela parecia uma típica “patricinha”, andando e sendo seguida por pelo menos dois homens, mas não tinha vibe de “Regina George”... traduzindo, ela não parecia ser uma pessoa ruim, esnobe e etc., pelo contrário, depois que se sentou e começou a interagir com as demais pessoas, sua energia era leve e simpática. Meus olhos pareciam presos nela e minha mente estava vaga, era como se estivesse hipnotizada e não havia o menor sentido do porquê estar daquele jeito. Eu nunca tinha sentido algo assim, à primeira vista, por isso me parecia muito absurdo, o problema é que piorou no momento em que seus olhos se encontraram com os meus. Ela sorria, pois estava falando com seus amigos e amigas, e foi nesse momento que nos olhamos, olho no olho, e senti todo meu corpo se arrepiar. Não desviei de imediato e nem ela o fez, fazendo com que aquele segundo fosse o mais longo da minha vida. Por um instante tive a impressão de seu sorriso se transformar em um sorriso pra mim, mas não queria pensar nisso, acho que pra não me iludir. – Tá olhando pra onde, doida? – Me perguntou Julia, minha amiga, ao passar por mim e se sentar atrás. A voz de Julia me fez acordar, foi como se tivesse me puxado de volta a realidade, o que muito agradeci, mesmo que internamente, por ter acontecido. Respirei fundo, balancei involuntariamente minha cabeça, como se me libertasse de um transe e, me virando pra trás, respondi: – Olhando? Não to olhando pra nada, não. – Ah, para! Da porta eu já te vi encarando a garota ali do outro lado. – Eu não tava encarando ela. – Retruquei preocupada. – Tava sim, mas não era só você não, ela também tava te encarando. – Você também viu isso? – Perguntei surpresa e quase sussurrando. Julia riu “com gosto” e disse: – Isso porque não tava encarando ninguém, né. Vi sim, mas parece que ninguém mais reparou. – Graças a Deus. – Respirei aliviada. – Foi tão bizarro assim? – Riu. – Ah, cara, foi estranho, nunca aconteceu isso comigo, tipo, não faço ideia de quem ela seja, mas quando entrou, eu me senti presa a ela... foi louco. Tentei olhar pelo canto dos olhos, porque não quis me virar diretamente e chamar atenção, mas com o pouco que consegui ver, percebi que Bruna não estava mais me olhando, e realmente não faria sentido se ainda estivesse. O que vi, na verdade, foi ela sentada virada para frente enquanto um dos rapazes estava tentando fazer uma massagem em seus ombros e sendo zoado por isso. Acho muito engraçado o comportamento masculino hétero e não falo isso em forma de crítica, eu apenas acho realmente engraçado, porque eles ficam rodeando, bajulando, tentando ser legais e tals, pra conseguir alguma coisa vinda da pessoa por quem estão afim, enquanto a garota, normalmente, parece não dar a menor confiança pra nada que ele esteja fazendo... lembrando que isso é apenas a minha percepção. – Sabe qual é o nome disso? – Me perguntou Julia prestes a me zoar. – Lá vem. – Soltei em tom de reclamação. – Carência. – Riu. – Tu é muito chata, sério mesmo. – Reclamei me virando pra frente. Julia era aquele tipo de amizade que adora te zoar por qualquer motivo, mas que quando você precisa, ela sempre está ali pra te ajudar, mesmo que tenha que rir de você primeiro. Ela estava me zoando porque fazia muito tempo que não ficava com ninguém, chegava a dizer que sou exigente demais... o que não discordo, infelizmente. Mas enfim, o professor finalmente entrou em sala, todo simpático e motivado, diferente da energia do resto da população Mundial... no caso em especial, eu. Comecei a pegar minhas coisas e colocá-las sobre a mesa, porque, como dizem por aí “sorte no jogo, azar no amor”... esperava que aquilo valesse pra vida profissional também. – Antes que eu esqueça, boa sorte. – Sussurrou Julia no pé do meu ouvido. – Com o quê? – Perguntei sem me virar totalmente. – Porque acho que você ficou afim de uma garota hétero. Ergui meus olhos na direção de Bruna, que parecia estar em clima de romance enquanto falava com o mesmo rapaz que antes lhe fazia massagem nas costas, pois ambos estavam em extrema proximidade e ela tinha expressões de “paixãozinha”, ou qualquer coisa semelhante a isso... caso seja a melhor forma de exemplificar o que estava vendo. De qualquer forma eu não estava apaixonada, não tinha como estar, nunca havia visto aquela garota em minha vida e não é assim que acontece, ainda mais comigo, que sou muito chata e difícil de me interessar por qualquer pessoa que seja na face de nossa querida Terra... mas será que estava? Ainda mais por uma hétero? Nada contra, é só que não facilitaria, se fosse o caso... seria?O período finalmente se encerrou e entramos de férias, mais que merecidas. Meu sentimento era de alívio e de dever cumprido, pois consegui manter minhas notas em alta, independente do meu estado emocional, o que foi uma tremenda vitória. Quem faz faculdade sabe como é, ou seja, mesmo estando com o emocional em dia, é uma luta manter as notas... embora ninguém nunca está bem de verdade.Concluí também a parte teórica da auto-escola, fiz minha prova e passei, o que também foi uma tremenda vitória, me restando agora fazer a parte prática, que, pra muitos, é a parte mais difícil do processo... veremos.No mais, aproveitei minhas férias pra descansar, arejar minha cabeça, ficar mais com a minha mãe e meu cachorro, mas também dei umas voltas com a Julia. Não vou ser hipócrita, beijei algumas pessoas numa balada ou outra, mas quem pode me julgar? Não foi nada sério, na verdade me deixaram com mais saudade dela... pelo menos tentei.Eu ainda estava bloqueada e conferia isso quase todos os dia
Eu continuava bloqueada em todas as redes sociais, o que era muito estranho, já que Bruna havia ido embora e largado o meliante, mas, depois daquelas últimas conversas esse fato não me machucava mais, porque vi que não era algo pessoal comigo, ainda mais porque ela havia dito que me amava.Era estranho ir pra faculdade e saber que não iria vê-la, o próprio banheiro não era mais o mesmo, por mais complexo que seja afirmar tal coisa, mas era assim que as coisas eram. Todos os dias me sentava no mesmo lugar, longe do antigo grupo, porque Leo ainda se fazia presente... pelo menos no começo.Alguns podem se perguntar sobre o que aconteceu com ele, já que era muito injusto que, depois de tudo, Leo saísse impune, mas as únicas informações que tenho a respeito era que ele quis e foi até lá, mas foi escorraçado pelos parentes dela e, parece, inclusive, que levou uma surra... isso segundo a Julia.Algumas coisas são muito complicadas no nosso País e nos tempos em que estamos, porque a agressão
Por mais que estivesse tudo dito e definido, ainda assim não me sentia bem ali sentada com Julia. Minha perna balançava desesperadamente, porque minha ansiedade estava gritando dentro de mim. O que fazer? É isso? Acabou assim? Fico aqui comendo como se nada tivesse acontecido? – Você não ta se agüentando, né? – Me perguntou Julia.– Não to... não sei o que fazer, já fui atrás dela, já conversamos, mesmo que rapidinho, mas sei lá, parece pouco pra mim.– Olha, pelo tempo que a gente ta aqui, ou ela já foi embora, ou ta pra ir... quer ir até lá? Se quiser eu vou contigo.Fechei meus olhos e respirei fundo enquanto minha perna continuava a se sacudir. Realmente não havia mais o que dizer, mas acho que eu precisava ver, como se isso fosse a confirmação do que já estava dito. Acabou? Acabou mesmo? Esse era o nosso fim? Depois de tudo que vivemos e sentimos, era assim que íamos terminar?Me levantei afoita e sai andando com Julia vindo atrás de mim e nem sei que fim deu ao que estávamos co
Sem esperar, Bruna me abraçou com tanta força, que fiquei sem reação. Seus braços me apertavam e ela chorava copiosamente. Aquela parecia uma reação muito mais inconsciente do que consciente. Eu a abracei de volta, queria que se sentisse em um ambiente seguro.– Desculpa... – Soluço. – desculpa. – Disse ela ainda em meus braços.Era tão dolorido vê-la naquele estado, nunca pensei que isso aconteceria, ainda mais comigo envolvida nos motivos. Imagina você ter em seus braços a pessoa que você ama enquanto ela chora de soluçar, mas não havia o que eu pudesse ter feito pra evitar que ela chegasse àquele estado, pois quanto mais me envolvesse, pior poderia ter ficado... acho.– Não precisa me pedir desculpas. – Falei.– Preciso sim. – Rebateu se afastando pra me olhar. – Eu não queria nada disso, não queria ter me afastado de você, não queria ter cedido pra aquele filho da puta, mas eu não tive escolha.– Eu sei disso, por isso to dizendo que não precisa se desculpar.– Eu vou embora. – Su
Último capítulo