Mundo de ficçãoIniciar sessãoLetícia é uma empresária rígida e bem sucedida que se vê obrigada a tirar férias de seu trabalho. O destino? A Cidade maravilhosa, Rio de Janeiro. Lá, enquanto descobre e explora novos lugares da região, ela conhece Camila, que é a leveza em meio ao caos e pode fazê-la encontrar calmaria onde menos espera. * Criação de Capa: Kaike Nunes (Eu) * Qualquer plágio estará sujeito a processo judicial. Meu primeiro livro LGBT
Ler maisO Rio de Janeiro pode ter os seus problemas, mas é inegável de que é uma Cidade extremamente linda, cheia de cores e vida, com sua Cultura fervendo pelas ruas, seja em bares, praças ou boates. Seja onde for, lá existe vida, lá você consegue se sentir mais viva, e acho que era um pouco disso que eu realmente estava precisando.
Não me lembro da última vez em que tirei férias e fazê-lo era algo tão estranho para mim, pois parecia que estava sendo negligente ou ingrata, mas decidi que desta vez minha empresa poderia sobreviver sem mim, afinal, com pouco mais de dez anos de mercado, não seria por causa de 30 dias que tudo iria por água abaixo, embora parecesse ir. Sempre tive a impressão de que para o meu “boi engordar”, eu precisava estar 24 horas de olhos nele e, caso não o fizesse, alguma coisa iria acontecer e tudo que construí com tanto sacrifício se perderia com extrema facilidade, pois ninguém se importa mais com uma empresa do que o próprio dono... já vivi tanta coisa. Enfim, me chamo Letícia, tenho 38 anos, moro em meu próprio apartamento, comprado com o suor do meu rosto, em São Paulo. Minha pretensão inicial era ficar em minha cidade, isolada em casa, lendo os meus livros e tentando recarregar minhas energias em meio a famosa selva de pedras, mas minha melhor amiga, Lúcia, não me permitiu ao dizer as seguintes palavras, com seu jeito carinhoso, por uma chamada de vídeo: – Se você se enfurnar nesse apartamento eu juro que vou aí e te arranco de casa arrastada pelos cabelos! – Ai Lu, me deixa, já aceitei tirar as férias, agora será que eu posso pelo menos decidir o que farei desse meu tempo ocioso? – Não pode, não! Se eu deixar, já to até vendo, os 30 dias vão passar e você só vai ter feito duas coisas. – O quê? – Sexo e álcool. – Respondeu ela. – E tem jeito melhor de passar o tempo? – Perguntei aos risos de sarcasmo. – Mulher! Vai viver! Vai gastar esse dinheiro que você guarda no colchão! – Riu. – Eu queria que você estivesse de férias JUNTO COMIGO! – Reclamei, puta. – Ficou me infernizando, mas no final me deu o bolo. – Paciência, né, como eu ia adivinhar que minha mãe ia arrumar a ideia de se machucar nessa altura do campeonato? Graças a Deus ela está bem, mas agora vou ter que ir lá em Porto Alegre, né. Toda a família vai, o que não me alegra, você sabe. – Sei sim... povo chato. – Respondi revirando os olhos. – Então aceite logo a minha proposta e vá ser feliz. – Rio de Janeiro? Sério? – Perguntei desmotivada. – Você já foi lá? Fica aí nessa neurose e preconceito enquanto tem um monte de gente indo e vivendo no seu lugar. Para de bobeira, garota! Pega o avião e vai. É perfeito. Aceita logo. – Onde fica mesmo a sua casa? – Primeiro que é um apartamento e fica em Ipanema, próximo à Copacabana. Tem de tudo ali, tem praia, barzinhos, boates, tudo! E dali você também pode ir pra vários lugares... só toma cuidado, mas pode. – Sim, mas vou estar sozinha, né. – Reclamei. – Ah! Do jeito que você é, duvido que fique muito tempo “sozinha”, – Riu. – principalmente ali na Zona Sul. – Cruzes, do jeito que você fala parece que eu sou uma viciada em putaria. – Você quer realmente que eu comente? – Me perguntou com deboche. Fiquei em silêncio enquanto refletia mais uma vez a respeito daquela intimação disfarçada de proposta. Era difícil sair da zona de conforto e, na verdade, nunca fui muito boa com isso, até chego a ser bem chata com minhas programações, pois não gosto de imprevistos, não gosto de surpresas... o que dizer? Quem não gosta da sensação de ter o controle das coisas, não é? – Você não pode ter o controle de tudo, já te disse isso. – Ela me falou enquanto me sentia absorvida por minha indecisão. – Ok, eu vou. – Maravilha! Espero que não se incomode com o tamanho do apartamento, já que ele é pelo menos metade do seu. – Não me incomodo não, acho que vai até ser mais aconchegante. – Você vai adorar! Não esquece de me contar tudo e de me matar de inveja! – Com certeza farei isso! – Respondi, puta. – Era pra você estar indo viajar comigo, sua puta. – Também te amo, amiga. Não esquece de passar aqui em casa amanhã pra pegar a chave, agora me deixa correr aqui porque ainda tenho que ir à academia hoje! Beijo! – Beijo. Desliguei o telefone, andei lentamente pelo meu apartamento silencioso e solitário enquanto me perguntava se aquela era realmente a melhor decisão, mas, ao mesmo tempo, também fiquei me perguntando qual seria o motivo que eu teria pra ficar ali, sozinha, em casa, mesmo que não ficasse de fato “sozinha” com freqüência. Sabe quando você tem um sentimento de que alguma coisa está pra acontecer, mas parece apenas uma maluquice da sua cabeça? É como se fosse uma premonição, um pressentimento, ou qualquer coisa semelhante a isso e que lateja dentro do seu peito, te deixando com uma certa ansiedade inexplicável. Por um lado eu não queria ir, mas por outro parecia que uma força me puxava naquela direção... eu tinha que ir. Independente de misticismo, no fundo sabia que estava precisando de novos ares e que esta viagem seria perfeita pra tentar aliviar metade do peso que carregava nas costas... ok, metade talvez seja uma afirmação muito forte, mas enfim, eu ia pro Rio de Janeiro e iria curtir as minhas férias livre, leve e solta na tão famosa “Cidade Maravilhosa”, eu só não sabia o que o destino tinha reservado pro meu coração.Tentei obter alguma informação a mais vinda do restaurante, mas não queria parecer doida e sei que eles também não podem passar informações pessoais das pessoas pra terceiros. Minha situação era complicada, pois quem me garante que o endereço onde a deixei era realmente onde ela morava? Como encontrar alguém numa Cidade tão grande quanto o Rio de Janeiro? Eu queria mesmo me desgastar para encontrá-la? O que fazer? Não sabia.Parei do lado de fora do restaurante me sentindo perdida, olhava de um lado pro outro enquanto era consumida por uma angustia estranha. Confusa. Me sentia muito confusa e sem saber o que fazer.– Ei. – Ouvi uma voz feminina vindo pelas minhas costas.Olhei pra trás e era uma moça que já havia visto trabalhando no restaurante. Ela estava se dirigindo a mim enquanto vinha saindo do estabelecimento. Fiquei imóvel aguardando-a se aproximar.– Você tá procurando a Camila, não tá? – Me perguntou a moça.Eu poderia tentar disfarçar, mentir, ou qualquer coisa, mas aquela
No dia seguinte acordei com meu celular aos berros. Lúcia estava me ligando, sendo aquela já a sua quinta tentativa. Ainda grogue, eu atendi, até porque a conheço e sei que não pararia enquanto não falasse comigo, e perguntei:– Por que de tanto desespero? Aconteceu alguma coisa?– Claro que aconteceu, você me mandou mensagem dizendo que tinha muito pra contar, mas eu só vi hoje de manhã. Acorda e me conta! – Exigiu ela.– Como está sua viagem?– Acredito que nem preciso dizer, né? Quando não está chata, é porque alguém ta fazendo algum tipo de barraco de família, mas como eles tentam manter a pose, então a viagem fica chata a maior parte do tempo mesmo. Agora me conta! – Insistiu.– Eu acabei de acordar, calma.– Não tenho culpa, bora, bora, se anima aí.– Eu vou te contar tudo, mas não agora, até porque ainda to processando as coisas, mas o que posso adiantar é que os últimos dias giraram em torno da Bea ter me mandado duas mensagens enquanto eu acabava de conhecer uma pessoa maravi
Nós ríamos enquanto falávamos de assuntos superficiais e aquilo era tão bom que me fazia realmente esquecer de tudo ao redor. Seu sorriso era tão cheio de vida, ele era tão iluminado, que àquela altura nem mais me lembrava da mensagem que havia recebido.– Vai começar a anoitecer, é melhor a gente ir embora. – Me disse ela parecendo reflexiva.Camila estava com suas coisas em mãos, não havia porque voltar comigo pro apartamento, então senti que aquele era um momento de despedida e meu problema foi justamente por causa do que aquele pensamento me fazia sentir.– Amanhã você trabalha? – Perguntei.– Infelizmente, sim. Tenho faculdade também, inclusive. – Brincou sorrindo. – Acho que preciso voltar pro "mundo real". Em sua última frase, aquele seu largo sorriso se desfez. Eu queria muito poder fazer alguma coisa a respeito, mas o que poderia ser? Como dizer para que não fosse? Como dizer para que passasse mais um dia daqueles ao meu lado? Quem era eu pra ter tal audácia, ou receber esse
O clima entre nós parecia ser o mesmo, embora não fosse assim pra mim, mas Camila mantinha seu ar leve e sorridente durante todo o tempo que ainda estávamos no apartamento, enquanto eu ainda sentia seus lábios junto aos meus. Na saída de casa, pedimos um Uber e fomos pra um lugar lindo chamado Lagoa Rodrigo de Freitas. O dia era de sol, estava bem quente, mas ao mesmo tempo era realmente prazeroso estar em um ambiente que fica ainda mais bonito em dias ensolarados.Começamos a caminhar, como muitos faziam, ao redor da Lagoa enquanto me sentia tomada pela beleza que invadia meus olhos. Eu não reparei de imediato, mas Camila me olhava com um sutil sorriso nos lábios.– Aqui é bem bonito, não acha, paulista? – Me perguntou ela.Eu a olhei com susto, pois sua voz me trouxe de volta do transe em que me encontrava. Sorri, respirei fundo, e disse:– A paisagem parece fazer uma lavagem cerebral na gente.– Sim. – Sorriu. – O Rio é muito bonito, independente de seus defeitos.– Defeitos e qua
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