Mundo de ficçãoIniciar sessãoTudo foi muito rápido e graças a Deus não terminou da pior forma, mas poderia e isso me assustou absurdamente. O que houve? Bem, eu fui puxada de forma brusca pela cintura e caí de costas em cima da pessoa que havia acabado de salvar a minha vida... foi isso o que havia acabado de acontecer.
– Vocês estão bem? – Perguntou um casal de senhores que passavam por nós. Ainda nem sabia quem era que estava debaixo de mim, pois ainda me sentida completamente atordoada com o que estava acontecendo. Olhei ao redor buscando sanidade mental, olhei pro casal que havia feito a pergunta e que pareciam bem preocupados, e me toquei de que havia alguém ainda sob meu corpo. Tentei me levantar, mas minhas pernas estavam bambas, então sentei de lado enquanto perguntava a ninguém específico: – Cadê o meu celular? – Destruído no meio da rua. – Me respondeu a menina que havia salvado a minha vida. – Estamos bem sim, graças a Deus. Obrigada por perguntarem. – Respondeu ela sorrindo ao casal. Eu a olhava atordoada enquanto ela se sentava parecendo muito preocupada comigo. O casal, antes de ir embora, disseram para que tomássemos mais cuidado ao mexer no celular. Eles se foram e eu voltei a olhá-la ainda atordoada enquanto ela me perguntava: – Você tá bem? O que foi que aconteceu? Olhei ao redor como quem procura as palavras, mas sem sucesso. Olhei-a novamente e disse: – Eu to bem. Obrigada, de verdade e me perdoe... também, de verdade. – De onde você é? – São Paulo. – Dá pra perceber pelo sotaque que daqui você não é. – Disse sorrindo e com um olhar meigo. – Eu preciso correr porque já estava mega atrasada pro meu trabalho, agora então não quero nem pensar, mas preciso ter certeza de que você está bem. – Eu preciso te agradecer direito. – Relaxa, você já me agradeceu, agora só não “quase” morra de novo. Pode ser? – Sorriu. – Pode. – Sorri. Enquanto levantávamos, perguntei. – Onde você trabalha? – No restaurante do outro lado da rua. Já de pé, olhei meu celular estraçalhado pelo asfalto e, para mim mesma, muito puta, disse: – Brilhante, Letícia, você está de parabéns. – Letícia é seu nome? – Perguntou enquanto se ajeitava e pegava seus livros e mochila do chão. Eu a olhei um tanto quanto assustada por me dar conta de que havia acabado de falar sozinha na frente de uma pessoa estranha, sorri constrangida e disse: – Sim, sou eu. Qual o seu nome? – Camila. – Camila... – Pensou. – Camila, vou com você até o seu restaurante. Eu já estava procurando por algum lugar pra almoçar mesmo. Pode ser? – Pode. – Sorriu. Atravessamos a rua, agora com o sinal fechado para os carros e liberados para os pedestres. – Tive muita sorte com esse seu atraso. – Brinquei. – Ao menos alguém teve, né. – Brincou parecendo angustiada, provavelmente por estar atrasada. Ao entrarmos, notei alguns olhares chateados direcionados a Camila e me senti mal, embora o atraso não fosse realmente por minha causa. Me sentei em uma das mesas tentando ficar o mais distante das demais pessoas possível e, agora sozinha, comecei a compreender o que havia acabado de acontecer. Bianca havia me mandado uma mensagem, depois de 6 meses separadas, depois de muita dor, raiva, mágoa e solidão, depois de ter sido acusada como culpada por sua traição, já que, por causa do meu excesso de trabalho, aparentemente eu lhe dava pouca atenção. Parecia que meu peito voltava a pegar fogo com aqueles sentimentos ruins e rancorosos, era como se eu fosse um vulcão prestes a entrar em erupção. Não havia nada demais na mensagem dela, a princípio era apenas um “oi, como você está?”, mas foi o suficiente pra me desestruturar e me fazer quase ser atropelada, embora ela não tenha culpa dessa parte, afinal, como iria imaginar o que uma simples mensagem poderia causar. Fiquei bons minutos com o cardápio em mãos, mas com minha mente mais distante do que qualquer coisa. – Já escolheu? Quando ergui meus olhos era Camila que estava ao pé da minha mesa com um aparelho em mãos e sorrindo. Era engraçado olhar nos olhos dela, ou pro seu sorriso, pois eles me faziam sentir o mesmo que sentia quando olhava pra uma linda paisagem. Meus maus sentimentos se dissiparam tão rápido que nem sei mencionar em quanto tempo isso se passou. – Escolher não tem sido uma tarefa muito fácil nos últimos tempos. – Brinquei, de certa forma, com a verdade. – E quando foi, não é mesmo? Se quiser uma dica, dá uma olhava no prato de número 5, é o meu favorito. Eu sorri ao ouvi-la e foi involuntário. Olhei novamente o cardápio em busca do numero 5 e, ao lê-lo, percebi que realmente seria uma boa escolha. Então olhei-a novamente e disse: – Me vê o favorito da Camila, por favor. Ela sorriu, segurou a minha mão que estava livre sobre a mesa com um sutil aperto, se inclinou na minha direção como quem pretende apenas contar um segredo e, me olhando mais de perto e com um olhar simpático, meigo e despretensioso, disse: – Você não vai se arrepender.






