Acordei antes do sol. Ela tava ali, dormindo no meu peito. O rosto tranquilo, os lábios entreabertos, uma perna jogada por cima de mim como se já fosse o lugar certo. Como se ela tivesse pertencido a mim esse tempo todo, mesmo quando me negava. Mesmo quando fugia.
Passei os dedos devagar pelos fios do cabelo dela, tentando não acordá-la, mas ela abriu os olhos.
— Você tá me encarando há quanto tempo? — perguntou com a voz rouca de manhã que me faz perder qualquer noção de juízo.
— O suficiente