O bilhete chegou na minha mesa sem fanfarra.
Só papel dobrado, letra dele, e o cheiro dele também.
Um que eu conheço bem demais para fingir que não me abala.
Li três vezes. Na primeira, ri. Na segunda, amassei o canto sem querer. Na terceira, guardei na gaveta.
Sexta, às oito. Só nós dois e um piano.
Clássico Riccardo. Nada de “vem jantar comigo”. Nada de “me dá outra chance”. Ele foi direto para o que sabe que me pega: arte. Como se a música pudesse desarmar o que eu passei meses bl