O plano de fingir que nada aconteceu durou exatamente quarenta e oito horas. Não um minuto a mais. Eu contei. Como se contar me desse algum tipo de controle sobre o que estava acontecendo dentro de mim.
Na segunda-feira, eu o vi pela fresta da porta do escritório. Ele achava que estava sozinho. A porta estava entreaberta, a luz amarelada vazando pelo corredor, e eu só ia passar. Só ia seguir meu caminho até a biblioteca como se ele não existisse dentro daquele cômodo. Mas parei.
O corpo decidi