CAPÍTULO 04

Suspirei, soltando o ar devagar, tentando colocar os pensamentos no lugar.

Isso não era o que eu tinha imaginado.

Achei que ela fosse entrar em choque. Que fosse chorar, se vitimizar, implorar. Mas não. Jade era atrevida, teimosa e estava conseguindo me tirar do sério de um jeito que eu não esperava.

A maldita cuspiu no chão, me desafiou na minha cara. Tentou fugir bem na minha frente.

Idiota.

Passei a mão pelo rosto, tentando calcular o que fazer a seguir. Eu não tinha me preparado pra tanta resistência. Não dela.

Mas se ela achava que podia me desafiar assim, estava muito enganada.

....

A ideia veio no meio da raiva. Ela queria ser teimosa? Tudo bem. Mas eu não ia dar mais nenhuma chance pra que tentasse fugir de novo.

Peguei o celular e fiz a ligação. Meu contato atendeu no segundo toque.

— Preciso de um rastreador. Pequeno. Discreto. — Minha voz saiu firme, sem espaço pra discussão.

— Consigo pra você. Encontro daqui a duas horas no mesmo lugar de sempre.

Desliguei sem dizer mais nada.

A noite passou enquanto eu dirigia pra encontrar o cara. Peguei o rastreador, testei, garanti que funcionava perfeitamente. No caminho de volta, o sol já estava nascendo, tingindo o céu de laranja e dourado.

Quando entrei no quarto, ela estava acordada, sentada na cama, os joelhos dobrados contra o peito. A bandeja de comida ainda estava no mesmo lugar, intocada.

Jade me viu e instantaneamente se afastou, os olhos cheios de alerta.

— Não chega perto de mim! — A voz dela era cortante, mas eu só sorri.

Caminhei até ela devagar, predador.

— Só quero conversar.

— Conversar uma ova! — Ela se arrastou pra mais longe, encostando as costas na parede.

Suspirei, parando ao lado da cama.

— Tudo isso deveria ser mais fácil. Mas você não tá cooperando.

— Não quero saber! — Ela cruzou os braços, o olhar queimando.

Meu maxilar travou.

— Mas vai saber. Porque tudo isso é culpa do seu pai.

Ela não respondeu, mas eu vi a hesitação em seu olhar. Mesmo tentando parecer indiferente, aquela informação fez algo dentro dela vacilar.

Aproveitei a brecha e avancei. Ela tentou se afastar de novo.

— Você não vai fugir mais!

Antes que ela pudesse reagir, agarrei seu pulso e puxei. Ela se debateu, mas não tinha chance contra minha força.

— Não! Sai... Sai!!!

Ignorei os protestos, girando seu corpo pequeno e prendendo-a contra mim. Ela se contorcia, mas eu era maior, mais forte. Meus braços a imobilizaram, e antes que ela pudesse gritar mais, puxei o pano embebido em álcool e pressionei contra o nariz dela.

— Shhh... vai ser rápido, princesa.

Ela lutou, tentou me arranhar, mas em segundos os movimentos ficaram mais fracos. A respiração desacelerou e o corpo amoleceu contra o meu.

Eu a deitei com cuidado na cama, afastando os cabelos do rosto dela.

Tão bonita. Mas tão atrevida.

Peguei o rastreador e o inserir atrás da nuca dela, pressionando suavemente, ela jamais saberá pois era tão pequeno quanto um grau de arroz.

Agora ela estava presa a mim.

Mesmo que não quisesse.

...

DOMINICK

...

Ela começou a se mexer na cama.

Eu observo atentamente cada movimento seu.

Ela se contorce, a respiração acelerando. O corpo pequeno e quente se remexe entre os lençóis macios, as mãos apertando o tecido.

Ela sabe.

Mesmo antes de abrir os olhos, ela sente.

Está presa.

Está em perigo.

E não há saída.

Os cílios dela tremulam, a boca entreaberta solta um suspiro curto. Então, os olhos abrem.

Ela pisca rápido, confusa, a respiração ofegante. As pupilas dilatadas varrem o quarto, tentando entender onde está.

Então, me vê.

E a confusão se transforma em terror.

— Você… — A voz dela falha, baixa, trêmula.

Cruzo os braços, encostado na parede, observando-a com calma.

Ela tenta se sentar, mas seu corpo ainda está fraco da sedação.

— Filho da puta! O que fez comigo?

Sorrio de canto.

— Dei um descanso pra você, princesa. Achei que precisava.

Ela me fuzila com o olhar.

Mas há algo novo ali.

Dessa vez, não é só raiva.

É medo.

— Você me drogou! — ela acusa, a voz cortando o ar.

— Claro que sim. Você não calava a porra da boca.

Ela se levanta de uma vez, cambaleando.

Eu não me movo.

Espero.

Ela tropeça, cai de joelhos.

está vulnerável. Frágil.

Finalmente, ela percebe a verdade.

A arrogância se desfaz em pânico, as mãos agarram o chão, como se tentassem encontrar algo real para se segurar.

— Por que está fazendo isso? — A voz dela agora não tem mais desafio.

Tem desespero.

Caminho devagar até ela, ajoelhando-me ao seu lado. Meus dedos seguram seu queixo, obrigando-a a me encarar.

— Porque eu posso.

Ela estremece.

Perfeito.

A respiração dela está descompassada.

Ela quer gritar, quer lutar. Mas seu corpo ainda não responde.

Isso é o que acontece quando tentam me enfrentar.

Ela achou que poderia me desafiar. Que poderia continuar me provocando.

Agora, sente o peso da realidade.

Eu não sou só um homem perigoso.

Sou o pesadelo do qual ela nunca poderá escapar.

Ela move seu rosto abruptamente, tirando o contato da minha mão em sua pele, finalmente se levanta, as pernas trêmulas.

— O que você quer de mim?

Cruzo os braços, a observando.

— Seu pai.

Os olhos dela brilham de fúria novamente.

— Eu quero que ele sinta o gosto do medo. O terrível sentimento da perda, da impotência. de ter o que ele mais ama arrancado dele! Ele vai sentir tudo que me fez sentir, todo o amargo de ter alguém arrancado dele!

— Meu pai vai matar você.

— Engraçado. Você já disse isso antes.

Ela avança contra mim. Completamente insana. A garota não aprende.

Antes que possa tocar em mim, eu a agarro pelo pulso, torcendo seu braço para trás e a pressionando contra a parede.

Ela solta um arquejo.

— Ah!

— Você não aprende, né, princesa?

Minha boca se aproxima do ouvido dela.

— Eu sou seu carcereiro. Seu sequestrador. Eu posso te quebrar de todas as formas possíveis.

Ela treme sob meu aperto.

— Se fosse mais esperta, cooperaria comigo e seria uma boa garota, sabia?

— Nunca! — responde atrevida.

Droga.

Isso me excita.

Ela sente.

Sente o perigo, o calor, a tensão entre nós.

O medo e a raiva misturados com algo mais sujo. Ela respira pesado, as mãos contra a parede, impotente contra mim.

Solto-a de repente, e ela tropeça para frente, se afastando, ofegante.

E sorrio.

Ela achou que poderia lutar.

Agora sabe que não tem chance.

— Aproveita seu novo lar, Jade. — Me viro para sair.

— Você não pode fazer nada. Não pode porque se não, não teria nada pra usar contra meu pai.

Eu paro na porta.

Viro o rosto, encarando-a.

— Ah, amor… você não tem ideia do que eu posso fazer.

Fecho a porta, trancando-a.

Ela pode gritar.

Pode chorar.

Pode espernear.

Mas nada vai mudar a verdade.

Ela pertence a mim agora.

E eu não vou soltar.

Nunca!

......

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