CAPÍTULO 03

— Vê se fica quieta!

me afastei pra porta, tenho coisas mais importantes do que escutar uma garota sem noção que não faz ideia da gravidade da situação.

— Ei!! espera...

abrir a porta passando por ela.

— Agh, babaca! me desamarra... Agh!!

fechei a porta com um sorriso ladino, perverso adorando aquela maldita situação.

---

Ela passou a noite acordada, tentando soltar as amarras. A mimadinha achava que poderia fugir.

Agora, está jogada na cama, exausta, os cabelos caindo em ondas bagunçadas pelo rosto.

— Tá bonitinha assim, sabia? — Provoco, encostado no batente da porta.

Ela me encara com ódio.

— Vai se foder.

Solto uma gargalhada, caminhando até ela. Pego seu queixo com força, obrigando-a a olhar para mim.

— Se continuar me desafiando assim, vou acabar te fodendo de verdade.

Ela arfa, os olhos se arregalando.

Ah, diabinha... Finalmente entendeu o perigo?

Seus lábios se entreabrem, e ela engole em seco. Pela primeira vez, Jade não tem resposta.

Solto seu queixo com um empurrão leve.

— Agora, senta e come.

Ela me encara, hesitante.

— Tá com medo, princesa? — Provoco, um sorriso cruel nos lábios.

Ela pisca rápido, recuperando-se.

— De você? Nunca.

Ela ainda tem fogo, Ótimo.

Eu gosto de queimar.

SEM SAÍDA.

Ela está ali, deitada no colchão imundo, o rosto virado para o lado, os cabelos espalhados pelo rosto. Ainda amarrada. Ainda desafiadora.

Fico parado diante dela, observando. O corpo pequeno, os pulsos vermelhos por causa das cordas, o peito subindo e descendo rápido. Não sei se de medo ou de raiva.

Talvez os dois.

Me abaixo, pego os pulsos dela e começo a desfazer os nós. Ela não luta. Só me encara com aqueles olhos cheios de fogo, esperando a próxima jogada.

— Anda, come essa merda — digo, sem paciência, apontando para o prato de comida sobre a mesa.

Ela vira o rosto, e por um segundo acho que vai me ignorar. Mas então ela cospe no chão.

Lenta. Deliberada.

Levanto uma sobrancelha.

— Tô cansando disso! — a voz dela sai firme, cheia de desafio.

Um sorriso surge no canto dos meus lábios. Desdém puro.

— Ah, é?

Ela senta na cama, os pulsos livres agora, mas ainda vermelhos da pressão da corda. Me olha como se quisesse me matar.

— Fala de uma vez o que você quer comigo!

Cruzo os braços, me divertindo com a impaciência dela.

— Com você? Nada.

Os olhos dela se arregalam. A indignação está estampada no rosto.

— Já com seu pai...

Ela aperta os lábios, me analisando. Então franze o nariz, como se finalmente tivesse entendido.

— Eu sabia! Você quer dinheiro, né? É isso!? Sempre o maldito dinheiro!

Reviro os olhos.

— Por que não liga logo e pede o resgate? Vamos, acaba logo com isso!

Ela quer me apressar, quer que isso acabe. Só que não vai acabar. Não tão cedo.

Solto uma risada baixa, seca.

— Tá rindo de quê!? O que tem de tão engraçado!?

Cruzo os braços, sem tirar os olhos dela.

— Você.

Ela se debate, ainda sentada, os punhos fechados como se quisesse socar alguma coisa.

— Você acha que é por dinheiro?

Ela para. O silêncio pesa entre nós.

Aproveito a hesitação dela para dar mais um passo. Meu tom se torna mais sombrio.

— Seu pai acabou com a minha vida.

O fogo nos olhos dela vacila.

Meu maxilar trava, a raiva sobe queimando.

— E eu vou acabar com a dele.

Ela se afasta instintivamente quando me aproximo mais. Mas é inútil. Seguro seus pulsos de novo, puxo suas mãos e começo a desfazer os nós. Meus dedos apertam um pouco mais do que deveriam.

— Agora, anda! Come essa merda!

Me afasto. Ela olha para as cordas caídas no chão e então para mim. Então, do nada, se levanta e corre.

Idiota.

Ela não dá nem três passos antes que eu a pegue pela cintura e a tire do chão.

— Agggh!!! Me larga!!

Ela se debate, mas não tem força suficiente pra escapar. Em dois segundos, a jogo de volta na cama.

— Fica aí!

Ela cai com força, os cabelos bagunçados cobrindo parte do rosto. A cama range. Ela me olha com puro ódio, e isso deveria me irritar. Mas não irrita.

— Não adianta tentar fugir! E se não quiser comer, não come, caralho!

O silêncio entre nós é cortante. Ela tira os cabelos do rosto, ainda furiosa.

— Pode tentar resistir, mas você não vai chegar a lugar nenhum.

Não espero resposta. Viro de costas, saio do quarto e bato a porta com força, trancando-a atrás de mim.

Ela pode gritar, se debater, me odiar o quanto quiser.

Isso aqui tá só começando.

.....

Saí do quarto puto. A mão foi direto pra gravata, puxando-a com força enquanto afrouxava o nó. O tecido arranhou minha pele, mas eu nem liguei.

Cada músculo do meu corpo estava tenso. Andei até a sala e me joguei no sofá, furioso. Passei a mão pelos cabelos, tentando controlar a onda de raiva que subia dentro de mim. Os botões da camisa foram os próximos a serem abertos, um por um, rápido e bruto. O peito subia e descia pesado.

...

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