Liam fechou a porta do quarto de hóspedes e retirou os óculos.
— Ela está apenas exausta. Não há sinais de ferimentos graves, apenas desidratação e alguns hematomas.
Kael respirou aliviado.
— Ela vai ficar bem?
— Vai precisar descansar por alguns dias. Depois faremos exames mais detalhados.
Liam guardou os equipamentos na maleta.
Antes de sair, olhou para Kael.
— Sua esposa está lá embaixo.
Kael passou a mão pelos cabelos.
— Eu sei.
— Ela estava esperando você.
— Eu sei.
— Hoje era o aniversário do vínculo de vocês.
Kael fechou os olhos por um instante.
Ele realmente havia esquecido.
No meio da reunião, quando recebeu a mensagem de Elena, chegou a pensar em ir para casa logo.
Mas tudo mudou quando seus homens enviaram aquelas três palavras.
"Nós a encontramos."
Liam suspirou.
— Não a deixe esperando a noite inteira.
Sem esperar resposta, saiu do quarto.
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No corredor, Liam encontrou Elena parada diante da janela.
Ela já havia trocado de roupa.
O vestido verde havia sido substituído por um pijama claro.
Mesmo assim, continuava segurando a pequena bolsa.
Como se tivesse medo de soltá-la.
— Você está bem? — perguntou ele.
Ela sorriu sem olhar para ele.
— Acho que já parei de me perguntar isso.
Liam permaneceu em silêncio.
Conhecia Elena o suficiente para saber que ela nunca reclamava.
Nem quando estava destruída por dentro.
— Ele vai descer?
— Não sei.
Ela assentiu lentamente.
— Entendi.
Depois de alguns segundos, entregou a bolsa para Liam.
— Pode guardar isso para mim?
Ele olhou sem entender.
— Tem certeza?
— Só por hoje.
Não quero olhar para ela.
Liam segurou a bolsa com cuidado.
Não perguntou o que havia dentro.
Mas imaginava.
— Amanhã eu devolvo.
— Obrigada.
Ela passou por ele e caminhou em direção ao quarto.
Os ombros estavam retos.
Mas Liam percebeu que ela fazia força para não chorar.
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No quarto de hóspedes...
Selene abriu os olhos devagar.
Kael estava sentado ao lado da cama.
Ela sorriu de forma frágil.
— Você não foi embora...
— Eu disse que você está segura.
Ela segurou a mão dele.
— Achei que ninguém fosse me procurar.
Kael respondeu quase automaticamente:
— Eu nunca deixei de procurar.
Selene abaixou a cabeça.
— Oito anos...
Ela deixou uma lágrima escorrer.
— Achei que você tivesse seguido em frente.
Kael permaneceu em silêncio.
Não respondeu.
A verdade era que nunca imaginou viver aquele momento.
Nem sabia o que sentia.
Apenas sabia que não conseguiria abandoná-la outra vez.
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Enquanto isso...
Elena entrou no quarto do casal.
A cama estava arrumada.
Os presentes continuavam sobre a cômoda.
Ela pegou a caixa do relógio.
Sorriu de maneira amarga.
— Você realmente não merecia...
Guardou o presente na gaveta.
Depois abriu lentamente o armário.
Na prateleira mais alta havia uma pequena caixa de madeira.
Dentro dela estavam cartas.
Fotografias.
E um envelope antigo.
Era ali que costumava guardar tudo o que tinha valor sentimental.
Colocou a caixinha de veludo ao lado das outras lembranças.
Passou a mão sobre a tampa.
— Ainda não, meu amor...
Sussurrou sem perceber que já falava com o bebê.
— Seu pai precisa descobrir porque quer saber...
Não porque eu implorei para ouvir.
Fechou a caixa.
Naquele instante, uma dor forte atravessou seu peito.
Ela levou a mão ao coração.
Respirou fundo.
Estranho...
Era como se o vínculo estivesse inquieto.
Como se alguma coisa dentro dela estivesse mudando.
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No mesmo instante...
Kael interrompeu a conversa com Selene.
Franziu a testa.
Levou a mão ao próprio peito.
Uma sensação estranha o atingiu por alguns segundos.
Tristeza.
Uma tristeza tão intensa que parecia não ser dele.
Logo depois...
Passou.
Selene percebeu.
— Está tudo bem?
Ele respirou fundo.
— Sim...
Deve ser apenas cansaço.
Mas, pela primeira vez em muitos anos...
Seu lobo estava inquieto.
E ele não fazia ideia do motivo.